Como contei na segunda parte, foi muito duro deixar o Brasil e voltar para a Suécia. Afinal, pela primeira vez desde os 14 anos de idade eu estava desempregado (exceto pelo primeiro ano de faculdade onde eu também não trabalhei), e num país estranho ainda por cima.
Assim que voltei, minha primeira preocupação era de ir no Arbetsförmedlingen (algo como o Ministério do Trabalho) para poder receber meu seguro-desemprego, afinal eu estava sem renda nenhuma e precisava ter dinheiro para a comida e para o aluguel que precisava pagar para o Andrigo por ficar no apartamento dele. Como eu não contribuía para nenhum sindicato quando trabalhava, só tinha direito ao benefício básico que é por volta de R$ 1.250,00 por mês. Isso pode parecer muito, mas na Suécia é bem pouco. Este valor não iria cobrir todos os meus gastos, mas melhor do que nada — pelo menos iria retardar o que eu teria que gastar do dinheiro que tinha guardado.
Quando fui no Abertsförmedlingen deu pra ter uma idéia do tamanho da crise que atingiu a Suécia: as filas de atendimento eram enormes, com muitos suecos mas principalmente estrangeiros (pelo menos que me pareceram estrangeiros, podem ser suecos descendentes de imigrantes também). Neste momento pensei comigo mesmo: não vai ser nada fácil encontrar um emprego. Quando chegou minha vez de ser atendido, mais um problema: quase nenhum dos funcionários fala inglês! Expliquei em um sueco mais do que porco que eu não falava sueco e precisava falar com alguém que entendesse inglês. Troquei de atendente, esse sim falava inglês, mas não posso dizer que com muita boa vontade. Ele não me explicou muita coisa sobre as regras, basicamente me passou umas brochuras em sueco e mandou ver tudo no site (também em sueco). Saí de lá insatisfeito com o atendimento, mas principalmente preocupado com o desemprego.
(Uma pausa para explicação: acho razoável que toda a documentação esteja em sueco, afinal estou na Suécia! Também é razoável que a maioria dos funcionários não fale inglês. Acontece que minha impressão foi de que fui mal atendido por ser um estrangeiro, não falante da língua nativa, como se eles estivessem fazendo um favor e eu estivesse sugando do governo. É bom lembrar que por dois anos eu trabalhei, contribuí, e paguei todos os impostos — que não são baratos. O que eu ia receber de seguro-desemprego era menos do que eu contribuía quando trabalhava.)
E agora, o que fazer? O negócio era entrar todos os dias nos sites de empregos e mandar meu currículo para todos os anúncios que eu pudesse encontrar (da minha área, claro). E rezar por uma entrevista. Fora isso, tinha muito tempo livre — mas não tinha dinheiro, o que limita em muito as opções do que fazer...
Em alguns casos não obtive resposta das empresas às quais mandei meu currículo. Em muitos outros casos obtive resposta, que sempre era mais ou menos assim: gostamos muito do seu currículo, mas a posição exige alguém com conhecimentos de sueco. Já em alguns poucos casos eu consegui entrevistas, todas em empresas de consultoria, e mei dei bem em todas: me ofereceram a vaga logo depois. Mas como eu iria trabalhar em projetos in loco em outras empresas, essas últimas teriam que dar o aval: infelizmente todas me rejeitaram, quase todas por razões da língua, e uma porque eu não tinha experiência suficiente em um ponto específico que eles consideravam importante.
Logo ficou claro que iria ser bem mais difícil do que eu imaginava, e minha única alternativa era utilizar o tempo livre pra aprender sueco. O problema é que aprender uma nova língua por conta própria não é algo muito fácil, e embora eu acho que seja possível (aprendi inglês assim, afinal) são necessários muitos meses, sendo muito otimista. E eu não posso esperar tanto tempo assim, afinal como o seguro-desemprego não paga todas as minhas despesas e meu dinheiro guardado não é infinito. Tentei uma vaga no Svenska för invandrare, curso de sueco para imigrantes que é oferecido de graça pelo governo, mas só iriam abrir novas vagas na segunda metade do ano.
Passaram-se várias semanas assim, eu mandando currículos e tentando estudar sueco por conta própria no tempo livre. Lá pelas tantas eu recebia uma carta do Arbetsförmedlingen me convocando para ir lá para explicar o que eu andava fazendo — sim, na Suécia para continuar recebendo o seguro-desemprego é necessário ir lá de tempos em tempos e explicar de que forma se está procurando emprego, se recebeu alguma oferta, e por aí vai. De vez em quando também era convocado para eventos que o órgão organizava onde empresas que procuravam mão-de-obra estrangeira apareciam. Só que em quase a totalidade dos casos eram empregos braçais ou que exigiam pouca qualificação (trabalhar na limpeza, ou em lanchonetes, essas coisas), e embora não tenha absolutamente nada contra quem tem esse tipo de emprego, não foi com esse objetivo que eu fui para a Suécia.
Assim foi indo, o tempo ia passando, já era lá por maio e nada de emprego. A idéia de largar tudo e voltar para o Brasil ia crescendo cada vez mais. Até que um amigo meu, colombiano, que mora em Estocolmo e também perdeu o emprego, me disse: tem uma empresa na Dinamarca que está contratando e trabalha com Java e usa somente inglês, eu fui rejeitado, mas não custa nada tentar. Claro, tentar não custa nada, então mandei um e-mail e marquei uma entrevista. Fui até lá e fui entrevistado por uma pessoa dos recursos humanos, que também mostrou o resultado do teste psicológico que fiz online antes da entrevista — aparentemente não sou louco, ou o teste falhou. Tive que fazer um outro teste de raciocíno e lógica (responder o melhor possível 60 questões em 20 minutos, se não me engano), e fui entrevistado também por um dos chefes da área técnica. Depois da maratona, fui liberado e informado que iriam ligar para dar o resultado da entrevista.
Saí da entrevista achando que me saí bem, mas até aí nenhuma novidade. A novidade foi que no dia seguinte me ligaram e me ofereceram o emprego! E queriam uma resposta se eu ia aceitar ou não no mesmo dia!
Uma coisa que eu não falei antes é que a empresa não é bem em Copenhague, mas sim em Ballerup, uma cidade próxima (chamada de Silicon Valley da Dinamarca, pois é cheia de empresas de tecnologia). Pra mim ir de Malmö (que fica na fronteira) até lá preciso pegar dois trens (o Öresundståg para atravessar o estreito de Öresund e ir até Copenhague, e o S-Tåg de Copenhague até Ballerup) e mais um ônibus (da parada do S-Tåg até mais perto da empresa), o que dá entre 1h30-2h em cada sentido. E eu pretendo continuar morando na Suécia, mais especificamente em Malmö, pois tenho visto sueco permanente e todos meus amigos estão aqui. Além disso a Suécia é um lugar com custo de vida muito menor do que a Dinamarca. Isso é parcialmente explicado pela diferença de cotação entre a coroa dinamarquesa e a sueca — a coroa dinamarquesa está valendo por volta de 45% a mais.
Fiquei angustiado o dia inteiro, pois embora não gostava nada da idéia de perder um tempão em deslocamento, no momento eu não tinha nenhuma outra opção. Se eu pudesse escolher, escolhia um outro emprego sueco que pagasse menos mas não tinha que perder tanto tempo (ainda mais se fosse em Malmö, onde é possível ir a qualquer lugar de bicicleta). Só que eu estaria trocando o certo pelo incerto, e quanto mais o tempo passa mais difícil fica conseguir um emprego (o buraco no currículo vai ficando maior, ruim de explicar para potenciais empregadores). E o salário que me ofereceram foi muito bom, já seria alto se fosse em coroas suecas, mas sendo em coroas dinamarquesas ele passa a ser instantaneamente 45% maior.
No fim não teve muito o que pensar. Aceitei!
Liguei para a empresa e falei minha decisão. A idéia seria eu começar dia primeiro de junho, mas tem um detalhe: preciso de visto para trabalhar na Dinamarca, e o pedido leva por volta de um mês para ser considerado. Assim assinei contrato para começar dia primeiro de julho.
Agora começava outro desafio: arrumar a papelada para poder trabalhar na Dinamarca. Primeiro de tudo era necessário conseguir um visto, e a Dinamarca é bem estrita no que se refere à imigração. Tive que preencher um formulário e anexar um monte de documentação. Como muita da minha documentação é em português (diploma, etc.) eu tinha que anexar um tradução juramentada para dinamarquês feita por um tradutor reconhecido pelo governo da Dinamarca.
Procurando na Internet só achei dois caras no país inteiro que fazem esse serviço, e um deles estava viajando. O outro me respondeu que morou em Julho de Castilhos, RS (!), pois era filho de um dinamarquês que morava lá a trabalho e assim aprendeu português. Como ele era minha única opção, mandei o material para ele traduzir. Para terem uma idéia do custo, ele cobrou o equivalente a R$ 300,00 a folha...
De posse da documentação, fui cedo até Copenhague no Udlændingeservice (serviço de imigração) e peguei uma senha. Meu número era lá por 300 e estavam atendendo por volta do número 70. Sentei e me resignei, pois vi que a espera ia ser longa. Enquanto isso via as centenas de pessoas em volta: árabes, indianos, americanos, africanos... Gente nova, gente velha, crianças, bebês... Podia-se dizer que o mundo inteiro estava representado ali. E enquanto as horas passavam eu só torcia para não ter nenhum problema na minha documentação pra não ter que voltar ali e esperar tudo de novo. Depois de umas 5 horas de espera eu finalmente fui atendido. Graças a Deus não faltou nada! A pessoa que me atendeu falou que em caso de problemas eles iriam entrar em contato (toc toc toc na madeira) e eu ia receber a decisão pelo correio.
Um mês depois, lá pela metade de junho, recebi uma carta com a decisão. Será que ganhei o visto?
Não perca o próximo episódio com a conclusão desta incrível saga, neste mesmo bat-horário, neste mesmo bat-canal.
Terça-feira, 30 de Junho de 2009
Retrospectiva, parte III
Segunda-feira, 25 de Maio de 2009
Quarta-feira, 20 de Maio de 2009
Retrospectiva, parte II
(Mais uma vez desculpem por demorar tanto para postar. Ao fim da retrospectiva vocês irão entender o porquê.)
Como estava contando no post anterior, no dia 24 de dezembro fui à Copenhague para pegar meu vôo com destino ao Brasil. Não via a hora de chegar, por tudo que tinha acontecido nos últimos meses e porque seria também uma válvula de escape onde eu poderia esquecer todos os problemas. Pelo menos por algumas semanas.
Eu cheguei no dia 25 de manhã bem cedo no Rio (se não me engano eram umas 5 ou 6h), depois de fazer uma conexão em Paris. Minha primeira preocupação foi saber se minha mala tinha chegado, pois da última vez isso não aconteceu. Depois de ver ela bonitinha aparecendo na esteira, fiquei tranqüilo: os presentes que trouxe de natal da Suécia iriam ser entregues. :-) Segunda preocupação: estava morrendo de fome, precisava comer algo! Mas imagine só: feriado de natal, 5 ou 6h da manhã... Obviamente nada estava aberto no maldito aeroporto. Raios!
Bom, as lombrigas tiveram que agüentar até eu chegar em Porto Alegre, aí por 8 e pouco da manhã. Desembarquei, peguei minha mala, entrei num táxi e me fui para a rodoviária pois sabia que tinha um ônibus para Faxinal do Soturno (cidade onde mora minha mãe) às 10h e queria comprar a passagem antes que acabassem os lugares. Ainda bem que quando cheguei lá o ônibus não estava muito cheio, então foi tranqüilo. Nesta altura do campeonato as lombrigas não agüentavam mais e entrei no primeiro boteco que entrei na rodoviária e pedi um bife à cavalo com arroz, feijão e salada. O garçom achou meio estranho, mas um pouco depois lá vinha o pratão. Devorei aquilo tudo como se tivesse chegado da Somália, engraçado foram os outros clientes que me olhavam com espanto e deviam pensar de onde vinha aquele louco que estava comendo arroz, feijão e bife às 9h e pouco da manhã. (Não esquecam que o meu relógio marcava meio-dia e pouco, horário sueco.)
Bom, às 10h peguei o ônibus que iria me deixar em Faxinal às 15h. (Maldita viagem, leva quase metade to tempo que leva pra atravessar o Atlântico.) Como disse no outro post, eu iria chegar de surpresa — ninguém sabia que eu estava chegando pois eu tinha dito que iria chegar em janeiro. A viagem já é longa, ainda mais que estava ansioso pra chegar de uma vez, então durante estas 5h muitas coisas passaram pela minha cabeça: como era estranho estar “visitando” as cidades do interior gaúcho (meu ônibus era daqueles pinga-pinga que param em tudo que é lugar) quando menos de 24h antes eu estava no outro lado do mundo; por um lado era bom estar na minha terra de novo, por outro eu não me sentia mais como pertencente àquele lugar.
Enfim. Eram 15h e um pouco mais e finalmente cheguei na rodoviária. Peguei minha mala e vim puxando, até que cheguei no portão de casa. Toquei a campainha. Suspense. Passou um algum tempo e nada. Será que não tem ninguém em casa? — pensei. Até que a porta de casa abriu. Ao me ver, minha mãe disse:
— Não acredito!
Pode acreditar, sou eu mesmo. Nos abraçamos e entrei, completamente suado (experimentem sair do inverno da Suécia pro verão do Brasil e puxar uma mala de 23kg no sol), e também matei a saudade dos meus cachorros (o Chacal e a Jade) que pulavam que nem coelhos. Pelo menos ainda me reconhecem. :-) Tomei um banho frio (nada como um banho frio) e depois fui dar um oi para a parentada que mora na cidade.
Bom, nos primeiros dias fiquei em Faxinal mesmo, matando a saudade da mãe. E da comidinha dela... :D Mas como Faxinal é uma cidade minúscula — tem por volta duns 6 mil habitantes — sem muita coisa para se fazer, eu ficava lá apenas nos fins de semana. Durante a semana eu ficava em Santa Maria, cidade onde morei por 10 anos antes de me mudar para a Suécia e onde boa parte dos meus amigos ainda mora. Ainda bem que a maior parte deles não estava de férias, assim pude encontrar muitos deles. Se tem uma coisa que aprendi ao morar tão longe é descobrir o quanto os amigos fazem falta na vida da gente: quero aqui dizer que vocês todos são muito especiais pra mim. Foi um prazer imenso poder encontrá-los de novo (e pra quem eu não encontrei, espero conseguir da próxima vez).
Minhas férias então resumiram-se a: durante a semana tomar cerveja em Santa Maria com meus amigos, e fins de semana em Faxinal com minha família. Nada de especial, certo? Só se for pra vocês, porque pra mim foi o máximo! Não troco um encontro com meus amigos por viagem ou praia nenhuma!
O problema? É que 6 semanas passam voando. E quando vi, já estava na hora de voltar. Voltar para a escuridão do inverno sueco, para um lugar onde eu estava sem emprego e iria morar de favor. Me despedir na rodoviária foi muito difícil, muito pior do que da primeira vez. Porque se um ano antes eu estava voltando com boas perspectivas (assim eu pensava), agora eu estava voltando para uma realidade que eu nunca tinha enfrentado antes: o desemprego, e num país estranho.
Não preciso dizer que chorei muito na hora da despedida. E no ônibus. E cada vez que eu pensava que pelo menos um ano iria se passar até eu retornar novamente. Assim como aconteceu um ano antes, depois que cheguei fiquei deprimido por umas duas semanas. Depois melhora, aos poucos passa. Tudo passa.
Tem que passar. Não adianta chorar. Afinal, preciso achar um emprego.
(Vem aí: parte III.)
Sexta-feira, 3 de Abril de 2009
Retrospectiva
Olá pessoal,
Antes de tudo queria pedir desculpas pelo abandono do blog nesses últimos meses. O motivo é que muitas coisas aconteceram de um tempo pra cá, e como nem todas coisas foram lá muito agradáveis eu sinceramente não estava com espírito nem cabeça para atualizar o blog — o que me fez deixá-lo de lado. Mas agora resolvi remediar isso e voltar a postar de forma mais freqüente, começando por uma retrospectiva do final do ano passado até agora.
Como a maioria deve saber, eu estava morando em Ronneby e trabalhando na Spidexa desde janeiro de 2007. Em dezembro daquele mesmo ano terminamos de desenvolver o sistema e lançamos o site. Embora tudo estivesse funcionando relativamente bem, a partir da segunda metade do ano passado ficou claro que o número de usuários que tínhamos estava abaixo do esperado. Existem várias explicações possíveis para isso; eu pessoalmente acho que o trabalho de marketing deixou a desejar. Enfim, o fato é que sendo uma start-up que depende de investimentos, era essencial que a empresa tivesse uma tendência de aumento no número de usuários pois isso iria facilitar muito para conseguir novos investidores — o que não aconteceu. Para piorar, todos sabemos que no final do ano passado estourou a crise financeira mundial e os investidores simplesmente sumiram. Resultado: para cortar gastos, os funcionários foram todos recebendo o aviso prévio, até que por último eu recebi o meu. No meio de novembro fui informado de que dia 19 de dezembro seria meu último dia de trabalho.
Ao chegar em casa, à noite, pensei comigo mesmo: não é o fim do mundo. Em Ronneby eu não tinha muitos gastos, meu aluguel era barato, então podia pedir o seguro-desemprego e ficar por lá até achar um outro emprego em outra cidade maior.
Isso até que no dia seguinte recebi um e-mail do propietário da casa onde morava. O e-mail dizia que a família dele iria mudar-se pra lá, então eu tinha até o dia 31 de dezembro para desocupar o quarto que alugava.
De um dia pro outro eu fiquei sem casa e sem emprego. Que legal.
Além de tudo isso, alguns meses antes eu já tinha comprado a passagem de ida e volta para o Brasil, do dia 24 de dezembro até 7 de fevereiro. Como eu trabalhava até o dia 19 eu tinha apenas o período entre os dias 20 e 23 para me mudar, e pra onde?
Tentei não entrar em desespero e por vários dias fiquei pensando em várias alternativas. Até que por fim resolvi entrar em contato com meu amigo brasileiro Andrigo, que comprou um apartamento em Malmö, e fiz a seguinte proposta: eu ficaria no apartamento dele até achar um novo emprego, e enquanto eu ficasse lá pagaria todo mês como aluguel metade do valor da parcela mensal do empréstimo do apartamento. Para minha sorte, ele aceitou.
Fiquei muito mais tranqüilo depois que essa questão do local para ficar foi resolvida, pois aquela era minha maior preocupação no momento. Para ser sincero eu não estava pensando muito no fato de que em poucos dias eu estaria desempregado; a única coisa que eu pensava era em escapar da escuridão do inverno sueco e viajar para o Brasil. (Não me importo com o frio, mas a escuridão sempre me deixa deprimido. Se eu já fico pra baixo naturalmente nessa época, imagina com essa situação toda.) Na volta eu iria me preocupar com a questão do emprego.
Enfim. Trabalhei o resto dos dias sozinho até o dia 19 de dezembro (todos meu colegas e até meu chefe já tinham sido demitidos), quando apaguei as luzes, tranquei o escritório e entreguei a chave. Passei meu último fim de semana em Ronneby empacotando tudo, e na segunda-feira dia 21 um amigo me deu uma carona junto com minhas coisas até Malmö.
No dia 24 por volta do meio-dia peguei o trem até Copenhague, de onde saía meu vôo para o Brasil. Estava ansioso para escapar daquela situação toda e fazer uma surpresa, afinal eu não tinha dito pra ninguém que estava indo naquele dia — “oficialmente” eu iria chegar no início de janeiro.
Mas alto lá! Como esse post já está grande demais, eu conto como foram minhas férias no Brasil no próximo post. Fiquem tranqüilos que não vai levar meses, viu? ;-)
Sexta-feira, 13 de Fevereiro de 2009
Voltei
Estou de volta ao blog (e à Suécia). Sumi por um tempo pois estava aproveitando 6 semanas de férias no Brasil. Além da viagem tenho um monte de novidades pra contar: não estou mais trabalhando na Spidexa, e saí de Ronneby para morar em Malmö.
Mais detalhes nos próximos posts.
Quarta-feira, 24 de Dezembro de 2008
Terça-feira, 16 de Dezembro de 2008
Terremoto na Suécia
Estava dormindo tranqüilamente hoje quando me acordei com o barulho que a minha "colega de casa" e seus amigos que voltaram duma festa e resolveram ter o post-party lá em casa estavam fazendo. Como eram 5 da manhã e vi que o barulho não ia acabar tão cedo, resolvi levantar e ir para o escritório onde podia dormir mais um pouco no sofá de lá.
Estava esparramado no sofá num sono quase profundo quando o prédio inteiro tremeu. Acordei, e meio desorientado ainda, não dei muita bola. Depois de alguns poucos minutos o prédio tremeu de novo. Resolvi levantar e olhar em volta pela janela, não vi nada. Pensei: deve ser o ar-condicionado ligando, ou alguma obra, sei lá. Meu sono era mais importante e me esparramei no sofá de novo.
Depois do almoço estava tomando um café e olhando as notícias quando vi esta aqui: We woke up screaming in our sleep (Acordamos gritando), logo acima desta outra: Earthquake shakes southern Sweden (Terremoto faz o sul da Suécia tremer). Foi aí que descobri que por volta de 6h30 da manhã houve um terremoto de 4,7 graus Richter com o epicentro em Malmö, e foi isso que senti aqui em Ronneby, a 180km de distância.
Jamais passou pela minha cabeça que o tremor que senti pudesse ser um terremoto. Bom, para tudo tem uma primeira vez. É mais uma história para contar numa roda de cerveja com os amigos... ;-)
Segunda-feira, 8 de Dezembro de 2008
Vida no sistema solar
Não sou eu, é o Luis Fernando Verissimo quem tá falando:
Ainda não se sabe se há água, e portanto vida, em Marte. Uma das luas de Saturno parece ter um ambiente propício para a vida orgânica, mas também não é certo. Talvez estejamos mesmo sós neste canto do Universo. É pouco provável que não exista vida em algum lugar das trilhões de galáxias além da nossa, mas estas não nos interessam. Esperamos, isto sim, que haja organismos que cresçam, se desenvolvam, formem civilizações e comecem a jogar futebol em planetas teoricamente acessíveis, para que se possa pensar num campeonato do sistema solar. Senão o Internacional não vai ter mais nada para ganhar!
P.S.: É melhor ser primeiro da segunda ou segundo da primeira?
Sexta-feira, 5 de Dezembro de 2008
Quinta-feira, 4 de Dezembro de 2008
Terça-feira, 2 de Dezembro de 2008
Pára o mundo que eu quero descer
Primeiro a Mônica e o Cebolinha se beijam. Agora descobri que o super-ultra-mega-sucesso da minha infância:
(Assistir no YouTube)
é um plágio, cópia descarada! Vejam (ouçam) por si mesmos:
(Assistir no YouTube)
(Assistir no YouTube)
(Assistir no YouTube)
(Assistir no YouTube)
(Assistir no YouTube)
Quer... Quer dizer que a capacidade lírico-musical do Sérgio Mallandro não era de verdade? Era tudo uma farsa?? Nem o Inspetor Faustão se salva???
Onde esse mundo vai parar????
Segunda-feira, 1 de Dezembro de 2008
Termos de busca
De vez em quando eu dou uma olhada nos termos de busca que trazem as pessoas ao meu blog. Fiquei com pena de quem não encontrou a resposta do que estava procurando, então vou tentar ajudar no que posso:
- ver prostitutas, suecia prostituicao, ver prostitutas peladdas, fotos de prostituição ― na Suécia prostituição é ilegal então não tenho fotos, desculpe. Mas pra ver uma prostituta pelada não é só pagar? Se é só pra olhar acho que tu consegue desconto.
- a prostituicao no ponto de vista estetico ― não me engana, tu procura a mesma coisa que o item anterior, só quer dar uma de intelectual. Vide resposta acima.
- ninfetinhas de16anos dando ― se eu soubesse onde tinha não estava no computador agora postando no blog.
- nifetinhas do nordeste ― nunca vi por aqui.
- o que comem os suecos ― seriam as suecas?
- assalto carro forte zero hora foto e vidio ― já tentou www.zerohora.com.br?
- quando sera o julgamento do caso isabela? ― boa pergunta, não sei.
- a primeira vez que senti medo na suecia leonardo brondani ― procurando esse post, ou quer saber a minha opinião? Respondendo: ainda não senti medo aqui na Suécia.
- como chegar ao terminal 4 saindo do terminal 2 do aeroporto de heathrow ― olha, passei uma vez só lá e não precisei trocar de terminal.
- contatar scandinavian airlines ― já tentou o site deles?
- vôo da dinamarca para londres horario ― quando eu for pra Londres eu aviso.
- quem são as dançarinas do leonardo ― quem? quem? Vai ser uma surpresa no meu aniversário? Oba! Oba!
- trocar pneu traseiro bicicleta ― claro, é só trazer aqui que eu troco.
- cotação 1 kr ― hoje vale 0,29 reais.
- o segredo 2 ― se eu contar aqui não vai mais ser segredo.
- schenkel wikipedia ― estou lisonjeado, mas ninguém se prestou. Sabia que qualquer um pode editar? Quem sabe tu cria o artigo?
- wikipedia leonardo ― é sério, não tenho artigo na Wikipedia. Vide resposta anterior.
- fui a estocolmo ― que ótimo! Fico feliz por ti, aposto que o Google também.
- karlskrona boite ― tem mais de uma "boite", magrão. De qual tu quer saber?
- arquivos de fotos musculação ― ah, desculpa, mas meu bíceps é tímido.
- quero ser mecanico de manutenção aeronautica na tam ― infelizmente não conheço ninguém que trabalhe lá pra te recomendar. Mas posso dar uma dica: quando pedir alguma coisa pro Google novamente, termine a frase com um "por favor", assim ele faz com mais boa vontade.
- pilcha (leonardo) ― não tenho pilcha, assim que comprar eu posto as fotos.
- riga eu ― eu também.
- é possível um avião da tam ficar parado no ar? ― claro, quando a gente anda de avião ele está parado, é a Terra que se move embaixo.
- pornonegao ― não pode ser um pornobrancão? Por que o preconceito?
- canon eos 450d lojas na argentina ― quando eu cruzar a fronteira Suécia/Argentina eu dou uma olhada pra ti.
- como assubiar wow ― Era uma vez um sabiá que não sabia assobiar. Então ele pediu ao sabiá que sabia assobiar para ensinar-lhe a assobiar como ele assobiava. Então o sabiá que não sabia assobiar falou para o que sabia assobiar: "Sabiá que sabe assobiar, me ensina a assobiar como você sabe assobiar"? Daí o sabiá que sabia assobiar falou:
"Para saber assobiar, basta saber assobiar como assobia aquele que já sabia assobiar antes de saber assobiar como o sabiá que sabia assobiar e assobiava". Daí o sabiá que não sabia assobiar sabeu e foi embora. Uau! - fotos de casas ― parei com isso depois que fui preso.
- onde nevou hoje ― aposto que no Pólo Norte nevou.
- ninfetinhas novas ― não pode ser ninfetinhas velhas, tipo com mais de 50? E por que essa fascinação toda por ninfetinhas??? Por quê??? Por quêêêêê?????
Fotos novas no álbum
Andei organizando minhas fotos, porque estava uma completa bagunça no meu computador e não me achava. Levou 3 semanas! Isso que ainda não acabei... Descobri que tinha fotos de muitos lugares que nunca publiquei, sem falar de lugares onde publiquei apenas parte das fotos que tirei.
Nos últimos dias então eu coloquei por volta de umas 1.000 fotos novas no meu álbum no Flickr, inclusive com alguns panoramas, e organizei tudo em coleções por cidade. Espero que gostem. Não precisam ter vergonha de deixar comentários (elogiando ou criticando), sempre vejo todos e fico muito feliz quando alguém perde um tempinho pra deixar sua opinião.
Sexta-feira, 28 de Novembro de 2008
Coluna de David Coimbra
Sensacional a coluna de David Coimbra de hoje (28/11/2008) no Zero Hora:
Pobres coitados
O brasileiro é um coitadinho. Eis a característica que unifica um povo tão diverso. Porque o brasileiro pode ser qualquer um: pode ser alto ou baixo ou de altura mediana, pode ser loiro ou negro ou mulato ou moreno, pode ser turco, japonês, alemão, africano. O brasileiro pode ter qualquer aparência, e não é por outro motivo que o passaporte brasileiro é o mais cobiçado pelos escroques internacionais. Mas todo brasileiro se sente um coitado. Todo brasileiro se acha injustiçado. Os chefes dos brasileiros são incompetentes e os perseguem. Os policiais os oprimem. Os governos são ainda piores: extorquem empresários e trabalhadores, e se esquecem do povo.
Ah, o povo. O brasileiro sempre fala no povo como uma gigantesca e impalpável entidade subalterna a outra entidade não tão gigantesca, mas igualmente impalpável: a malévola “Eles”. “Eles” se aproveitam da ingenuidade do povo, “Eles” são corruptos, “Eles” é que estragam um país tão rico e belo, “Eles” não sabem aproveitar as qualidades dessa gente inzoneira, feliz e criativa.
Quem são Eles?
Os governantes, os chefes, as autoridades. A responsabilidade é toda deles.
O brasileiro ganha mal? A culpa é do patrão que o explora. Mora mal? Por causa do Estado, que não financia a Habitação. As filas, a violência urbana, a sujeira das cidades, a carestia – Eles são culpados. A razão do problema nunca está no brasileiro, está fora dele.
Agora mesmo, milhares de brasileiros foram vitimados pelas enchentes em Santa Catarina, e parece que neste caso não dá para atribuir a culpa a ninguém, senão à Natureza inclemente. Aí, como reagiram alguns brasileiros à tragédia que martiriza seus semelhantes? Comerciantes aumentaram os preços dos alimentos e da água potável – li que um litro de água chega a ser vendido a R$ 14. Flagelados não abandonam suas casas com medo de que sejam arrombadas. Depósitos de mercadorias estão sendo atacados. Vi fotos de gente levando produtos de saque pela rua dentro dos próprios carrinhos dos supermercados. Não eram alimentos. Eram TVs de tela plana, eletrodomésticos e bebidas alcoólicas. Uma farra. Para arrematar a festa, os caminhões que tombam nas estradas são saqueados pelas comunidades lindeiras às rodovias e pelos outros motoristas.
É o brasileiro que faz tudo isso. Não são os chefes, nem os patrões, nem os governantes que estão espoliando flagelados, roubando motoristas acidentados ou invadindo casas, supermercados e depósitos. Não são “Eles”. É o brasileiro. O povo. Por sua conta e iniciativa, sem que ninguém ordene ou o obrigue.
O que são essas pessoas que saqueiam caminhões tombados ou casas abandonadas?
Não são oportunistas. São ladrões vulgares.
O que são os homens que aumentam o preço da água potável que saciará a sede dos flagelados?
Exploradores cruéis.
Não são coitadinhos. São mesquinhos, gananciosos e desprezíveis. São grosseiros, velhacos e baixos. São a ralé. A escória da raça humana. São grande parte do povo brasileiro.
Segunda-feira, 24 de Novembro de 2008
-5 graus e nevando
Nada como acordar e ir de bicicleta pro trabalho quando está nevando e o termômetro marca -5 graus.
Tirei algumas fotos bem meia-boca com meu telefone.
Terça-feira, 18 de Novembro de 2008
Peter Schiff é o cara
Eu não sei quem é, nem nunca ouvi falar, nesse tal de Peter Schiff. Mas ele é o cara.
Vejam o que ele falou em 2006 e 2007 (peço desculpas pra quem não sabe inglês pois o vídeo não tem legendas):
(Assistir no YouTube)
Ver os outros “experts” rindo da cara dele: não tem preço.
Segunda-feira, 17 de Novembro de 2008
Fotos da Alemanha publicadas
Como prometido, publiquei as fotos da minha última viagem à Alemanha na minha página no Flickr.
Segunda-feira, 10 de Novembro de 2008
Alemanha, como foi
Como disse no post anterior eu viajei na última sexta-feira (7/11) pra cidade de Wallenhorst, na Alemanha. Fui convidado por um amigo alemão (Christian) que morou aqui em Ronneby para o aniversário dele que seria no sábado. Outros dois amigos que moram em Malmö também foram convidados e iriam pra lá de carro, então eu peguei um trem pra Malmö para encontrá-los e continuar a viagem.
Saímos às 17h, atravessamos a Dinamarca, pegamos a balsa da Scandlines que faz a ponte com a Alemanha (leva uns 45 minutos), e prosseguimos viagem até chegarmos ao destino aí pela meia-noite. Ficamos hospedados na casa da família do Christian.
No sábado de manhã depois de tomarmos café resolvemos dar uma volta rápida pela cidade. Na verdade Wallenhorst não é um município, mas sim um distrito de Osnabrück. Voltamos para o almoço mas como ainda faltava por volta de uma hora para ficar pronto, avisei o pessoal que iria dar uma caminhada na vizinhança para tirar algumas fotos do lugar.
Foi quando fui preso pela primeira vez na vida. :D
Não, não fui preso não... Estou exagerando só pra dar uma emoção a mais. Mas já chego lá.
Comecei a fotografar as casas da vizinhança, as ruas e tudo o mais. Depois de uns 15 minutos fazendo isso um cara apareceu, imagino que mais ou menos da minha idade, e veio falar comigo. Como meu alemão não é lá essas coisas eu perguntei se ele falava inglês, e ele disse que não. Daí apontava para o celular e dizia "polizei, polizei". Eu entendi que ele ia chamar a polícia, então eu disse pra ele que fizesse o que quisesse (sei lá se ele entendeu ou não). Ele telefonou pra polícia e consegui entender que ele descreveu as roupas que estava usando. E ficou por ali, me acompanhando, imagino que para mim não fugir.
Como eu sabia que não tinha feito nada, nem me preocupei e continuei batendo fotos bem tranqüilo. Uns 15 minutos se passaram e chegou a viatura da polizei. A primeira pessoa a sair foi uma policial, muito gata por sinal. Neste momento eu até pensei que ser preso não ia ser uma má idéia. :D Um outro policial também saiu, e foram conversar com o tal do alemão. Não entendi nada do que disseram, e daí o casal de policiais veio falar comigo. O inglês deles era bem ruinzinho, então tentei explicar da forma mais simples possível que eu estava hospedado a duas quadras dali e não estava fazendo nada, apenas tirando fotos na rua, quando o tal cara apareceu e chamou a polícia. Eles pediram pra eu entrar na viatura que me dariam uma carona. Eu falei que tudo bem e fomos.
Enquanto isso meus amigos estavam na frente da casa, conversando. Foi indescritível a cara que fizeram quando a viatura da polizei parou na frente deles e eu abri a porta e saí do carro! :-) No grupo estava a Chris, que é alemã, e falei pros policiais conversarem com ela. Eles conversaram um pouco, ela explicou que estávamos ali todos para o aniversário do Christian e que tínhamos vindo da Suécia. Os policiais acharam o máximo nós termos vindo de tão longe, despediram-se de nós e foram embora.
Perguntei pra Chris o que eles falaram e ela disse que o cara achou suspeita minha atitude de ficar tirando fotos das casas, porque ele viu que eu não era ali da vizinhança. Ele pensou que eu estava fotografando para assaltar as residências depois, então resolveu chamar a polícia.
Ainda bem que eu não estava com o tripé, caso contrário seria considerado armado e perigoso!
Enfim, foi tudo tranqüilo. Os policiais viram que era ridículo, nem meu nome perguntaram. Só perguntaram de que país eu era e me deram uma carona de Mercedes. Eu achei tudo muito engraçado, principalmente da cara de susto dos meus amigos quando saí do carro. É mais uma história pra contar pros amigos numa mesa de bar... ;-)
Infelizmente não tenho fotos do "incidente" porque também não quis abusar da sorte e não tirei fotos dos policiais ou da viatura. Vai saber se é permitido ou não. :D
Mas continuando o relato da viagem, almoçamos (e imagina qual foi o assunto do almoço?) e saímos dar outra volta pela cidade. Mais fotos e voltamos para tomar banho e ir na festa que seria numa casa próxima, pois o aniversário era junto com outra pessoa e eram mais ou menos 100 convidados.
A festa foi bem legal, começou às 20h e tinha cerveja e outras bebidas liberadas. A partir da 1h os detalhes não estão tão claros na memória :-), mas ficamos por lá até às 3h e pouco.
No domingo acordamos aí pelas 11h (eu numa ressaca desgraçada), fizemos um brunch (breakfast+lunch) e às 14h botamos o pé na estrada novamente. Alemanha, balsa, Dinamarca, Malmö, trem... Às 23h cheguei de volta em Ronneby: são, salvo, e com a ficha limpa. :DAssim que for possível publico as fotos. Fotos publicadas.
Sexta-feira, 7 de Novembro de 2008
Alemanha
Estou indo hoje (7/11) à Alemanha, mais precisamente à cidade de Wallenhorst. Um amigo que mora lá está fazendo aniversário neste fim de semana e me convidou. Voltarei domingo à noite. Depois conto como foi e publico as fotos.
Segunda-feira, 3 de Novembro de 2008
Etiqueta sueca
Vou reproduzir aqui o conteúdo de um blog que achei muito interessante. Mostra o quanto alguns suecos podem ser reservados:
No jornal que assinamos existe um espaço dedicado a regras de etiqueta. De quando em vez sempre dou uma olhada para rir com as perguntas e respectivas respostas.
Hoje, na página principal do jornal na internet, vi uma pergunta que me chamou atenção: Como escapar de ser abraçado por um parente? Fui imediatamente ler a pergunta completa e ver qual a solução para esta estranha questão.Slippa kram och klapp?
A pergunta: O que podemos fazer para escapar de um abraço de pessoas que não queremos ter contato corporal quando nos encontramos? (Os suecos costumam dar um leve abraço e tapinhas nas costas quando encontram amigos e parentes.) No mais próximo círculo familiar, existem algumas pessoas que são “peguentas/grudentas”, especialmente uma mulher que infelizmente não têm como escapar em festas de família. Se eu consigo evitar um abraço, ela “dá uma batidinha/passa a mão” nas minhas costas quando fala comigo. Existe alguma forma que não seja desagradável para dizer a ela que ela não me toque de jeito nenhum, ou o jeito é suportar ?
A resposta: Você tem minha simpatia - É desesperadamente desagradável ser tocado por pessoas que não queremos ter contatos mais próximos. Você pode começar estendendo a mão se esticando um pouco e dizer “Eu prefiro cumprimentar desta forma”, e ver se ajuda. Se não, você diz a ela quando a mesma se aproximar “Atualmente estou com problemas com contatos muito próximos, podemos então apenas apertar as mãos”. Ela pode acreditar no que quiser sobre teus problemas, que com certeza ela vai interpretar desta forma, que você não quer ser tocada por ela. Hoje em dia tornou-se comum, que todos se abracem ou toquem uns aos outros, com o objetivo de mostrar cordialidade e amizade. Mas temos o direito [de preservar] nossa intimidade/integridade evitando o contato com pessoas que não queremos aproximação.
Ta aí uma característica bem sueca: ser franco, sincero.
Às vezes até demais...
Outono
Ontem vi a paisagem de outono pela janela e não me agüentei: tive que tirar algumas fotos pra não enferrujar a câmera. ;-)
Espero que gostem.
Segunda-feira, 27 de Outubro de 2008
Acabou o horário de verão
Acabou neste do domingo o horário de verão aqui na Suécia. Como aqui "voltou" uma hora, e no Brasil "avançou" uma, a diferença de horário caiu de 5 para 3 horas.
Neste horário novo (ou seria velho?) são 16h24 aqui e o sol já se foi, já está quase noite. Até chegar o solstício de inverno os dias vão ficando cada vez mais curtos; no dia mais curto do ano o sol se põe aí pelas 15h20.
Essa época pra mim é a pior, não pelo frio mas pela escuridão. Pra quem não é daqui, como eu, a falta de sol torna a gente mais depressivo.
Mas janeiro está logo aí, daí posso dar uma fugidinha e visitar a terrinha... :-)
Quinta-feira, 16 de Outubro de 2008
Grêmio e o STJD
Não tenho acompanhado muito de perto o Campeonato Brasileiro, até porque o Inter tem feito uma campanha ridícula (pelo time que tem) e isso me fez perder o interesse. Mas quero aqui deixar minha opinião sobre o canetaço que o STJD está dando contra o Grêmio.
Não foram poucos os gremistas que davam risada em 2005 pelo canetaço que o STJD deu e acabou favorecendo o Corinthians e desfavorecendo o Inter (sem falar naquele pênalti escandaloso não dado contra o Tinga no jogo contra o mesmo Corinthians). Se o Inter teria ganho o campeonato ou não ninguém pode saber (eu pessoalmente acredito que sim), mas de qualquer forma aquela decisão foi um grande golpe para nós colorados.
E agora aconteceu de novo, mas contra o Grêmio.
Só quero dizer aqui que não conheço o time do Grêmio, não sei quem foi punido, nem vi os lances em questão. Mas pela repercussão que isso teve na imprensa e entre os gremistas eu não tenho dúvidas que outra injustiça está sendo feita. Acho que em 2005 foi ainda pior (perdemos jogos inteiros e não apenas alguns jogadores) mas agora os gremistas estão tendo uma idéia de como é estar liderando o campeonato e ser garfado por um canetaço. Não consigo ficar nem um pouco feliz com isso, afinal senti essa revolta três anos atrás e sinto a mesma revolta agora, mesmo que a vítima seja o arqui-rival.
Futebol é esporte, e no esporte ganha o melhor. Claro que devido à rivalidade eu prefira ver o Grêmio acabando o campeonato em segundo lugar, mas isso tem que acontecer no campo. Me solidarizo com todos os gremistas, e acho até que a torcida do Inter teria que protestar também contra essa arbitrariedade. Assim como aconteceu antes com o Inter, e agora com o Grêmio, pode acontecer de novo no futuro. Nem precisa ser com a dupla: independentemente do time que esteja sendo prejudicado, não é admissível que em 2008 um campeonato de futebol ainda seja decidido no tapetão. Isso aí não é campeonato, não é futebol, não é esporte.
Deixo então registrado aqui meu protesto e minha solidariedade com os gremistas. Esperneiem, gritem, protestem! Porque isso aí que aconteceu é uma vergonha.
Segunda-feira, 29 de Setembro de 2008
Recomendo a leitura
Já disse antes que tem mais brasileiros com blog na Suécia. Recomendo a leitura deste post:
A primeira vez que senti medo na Suécia...
Assino embaixo.
WALL-E
Ontem fui ao cinema assistir WALL-E. Como em todas as animações da Pixar, tem um curta no início. Legal. Daí começou o filme pra valer, e e era dublado! Putz, meu sueco tá longe de ser bom o suficiente e mesmo assim não assisto dublado nem em português.
Saí do cinema com 1 minuto de filme. Fui falar com o cara da bilheteria, que eu não entendia sueco e não sabia que era dublado, e ele me devolveu o dinheiro na hora. Ufa, achei que ia perder o ingresso.
Mês que vem eu volto pra assistir o novo 007: Quantum of Solace.
Sexta-feira, 26 de Setembro de 2008
iPhone
Vi de relance no Zero Hora de hoje que o iPhone começou a ser vendido no Brasil. Não vi em detalhes como funciona por aí, mas só pra dar uma perspectiva vou contar como é na Suécia. Os preços em reais foram convertidos com a cotação de hoje, R$ 1 = 3,61 kr. (Cotação que por sinal variou bastante, estava quase 4 por 1 uns dias atrás.)
Na Suécia o iPhone é vendido por exclusividade pela Telia, uma operadora local (por coincidência a minha). Ao contrário de alguns países da Europa como a Itália, aqui só é possível adquiri-lo bloqueado e junto com um plano, embora depois de um ano seja possível pedir o desbloqueio pagando uma taxa de 300 kr (R$ 83).
O preço do aparelho vai depender de qual o modelo de iPhone (8GB ou 16GB), qual o plano escolhido, e do tempo de contrato (18 ou 24 meses).
Os planos são (existem outros, mas peguei os mais expressivos):
- iMini: inclui 100 minutos, 100 SMS, e 100 MB por 299 kr/mês (R$ 83)
- iMidi: inclui 250 minutos, 250 SMS, e 250 MB por 489 kr/mês (R$ 136)
- iMaxi: inclui 1.000 minutos, 1.000 SMS, e 1.000 MB por 859 kr/mês (R$ 238)
- 99/199/299: paga-se apenas o que gasta, mas tem uma "consumação" (valor mínimo cobrado) de 99/199/299 kr/mês (R$ 27/55/83)
Como são muitas opções, peguei como exemplo o iPhone de 16 GB e um contrato de 24 meses:
- iMini: 2495 kr (R$ 688)
- iMidi: 1795 kr (R$ 495)
- iMaxi: 795 kr (R$ 219)
- 99: 4420 kr (R$ 1.220)
- 199: 3920 kr (R$ 1.082)
- 299: 2720 kr (R$ 754)
Terça-feira, 23 de Setembro de 2008
Honestidade
Estava trabalhando hoje quando um estranho bateu na porta do escritório. Era uma mulher, procurando pelo dono de um iPod Touch que tinha sido encontrado no estacionamento do SoftCenter (prédio onde trabalho).
Era meu! Ganhei ele da empresa lá em abril, e quando desci da bicicleta ele caiu no chão e não percebi.
Essa mulher encontrou o aparelho e bateu de escritório em escritório no prédio até achar o dono (coitada, o meu é no quarto andar). Esse iPod custa mais ou menos umas 2.400 coroas suecas, o que dá por volta de uns 600 reais.
Agora me pergunto: se fosse no Brasil, quantas pessoas fariam o mesmo?
P.S.: Primeiro ponho o celular na máquina de lavar roupa, agora quase perco o meu iPod. Sai urucubaca!
Segunda-feira, 15 de Setembro de 2008
Utilidade pública
Serviço de utilidade pública: Quando colocar as roupas na máquina de lavar, certifique-se de que o celular não esteja no bolso da calça.
Voltamos agora à nossa programação normal. Depois que eu comprar um celular novo.
Quarta-feira, 27 de Agosto de 2008
Na Suécia você come...
Não sou o único brasileiro que mora na Suécia e tem um blog. Várias outras pessoas também têm, e por sinal escrevem muito melhor e muito mais freqüentemente do que eu. Uma delas é a Sônia, que mora em Malmö, e recentemente postou sobre o que se come por aqui. Pra quem tem interesse, recomendo a visita.
P.S.: Eu uso o Google Reader para ler blogs, e freqüentemente compartilho coisas que acho interessante. Coloquei uma barrinha aqui no lado direito com os últimos itens que compartilhei. Quem quiser pode visitar a página com todos os itens.
Segunda-feira, 25 de Agosto de 2008
Ninguém merece
Olha só o que apareceu no jornal The Local por aqui hoje:
Jogadora sueca rejeita proposta de Ronaldinho
A jogadora olímpica sueca Johanna Almgren rejeitou uma proposta de casamento do superstar brasileiro Ronaldinho quando ambos encontraram-se em um hotel na China.
Johanna Almgren encontrou seu ídolo Ronaldinho, superstar do Brasil e do Milan, quando as suecas ficaram no mesmo hotel que a seleção brasileira antes de uma de suas partidas nos jogos olímpicos.
Almgren, substituta de última hora para a lesionada Hanna Ljungberg na seleção feminina de futebol da Suécia, disse ao jornal local Borås Tidning que quando o time brasileiro chegou no hotel os funcionários e hóspedes deram uma salva de palmas.
Naquele momento Almgren nem imaginava que ela conheceria mais de perto o espirituoso maestro meio-campista do Brasil.
"Nos corremos para o saguão do hotel para pedir autógrafos. Ronaldinho ignorou todos os chineses e caminhou diretamente em minha direção. Ele olhou nos meus olhos profundamente, pegou a minha mão, e beijou. Eu quase desmaiei", disse Almgren num encontro com fãs depois de voltar de Pequim semana passada.
Mas isso provou ser só o começo do flerte de Johanna Almgren com seu ídolo e mais tarde naquela mesma noite o telefone tocou no seu quarto de hotel.
"Alguém disse num inglês arrastado que estava ligando a pedido de Ronaldinho. Ronaldinho queria que eu fosse até o seu quarto."
Almgren no início ignorou a ligação, pensando que fosse um trote de sua colega de time Therese Sjögran. Mas quando ficou claro que a ligação era pra valer a perplexa sueca pegou sua máquina fotográfica, chamou algumas pessoas de confiança para acompanhá-la, e foi se encontrar com uma das maiores estrelas do esporte mundial.
"Infelizmente ele (Ronaldinho) não sabe falar inglês direito. Meu espanhol e português são horríveis então a conversa consistiu basicamente em sinais", disse Almgren.
Entretanto, a dupla mostrou que nada tinha sido perdido na tradução quando Ronaldinho virou para um de seus companheiros de time e começou a falar em português.
"O intérprete disse que Ronaldinho perguntou se eu gostaria de casar com ele. Eu estava chocada e respondi imediatamente: Não!"
Johanna Almgren não mostrou nenhum sinal de arrependimento por ter rejeitado os avanços do playboy brasileiro quando contou a história para seus fãs na sua cidade local de Borås, na sexta-feira.
"Eu tenho o meu Adam aqui em casa. Mas levou tempo para ele se acalmar depois que eu contei a ele sobre meu encontro com os brasileiros", contou Almgren enquanto dava risada.
Sem comentários.
Quinta-feira, 21 de Agosto de 2008
Que pecado!
Dá gosto ver as gurias do futebol jogarem: elas têm muita habilidade e muita raça, praticamente não deixam o adversário jogar. Tudo o que não dá pra dizer do time dos homens.
Por isso dá vontade de chorar ter perdido a medalha de ouro hoje. A sensação é mil vezes pior do que a derrota de ontem. As gurias jogaram direitinho, mas as americanas se defenderam muito bem e não conseguimos finalizar. E acabamos tomando o gol.
É uma pena. Mas pelo menos um time de futebol do Brasil pode sair de cabeça erguida dessas olimpíadas.
Agora é torcer para o vôlei salvar a pátria.
Olimpíadas
Vídeo instrucional do Comitê Olímpico Brasileiro, usado para a preparação dos nossos atletas:
(Se o vídeo não apareceu, assista no YouTube.)
Terça-feira, 19 de Agosto de 2008
Bronzil-zil-zil
Essa seleção masculina não ganha ouro nem aqui nem na China!
P.S.: Se o Dunga cair e o Ronaldinho nunca mais for convocado, não terá sido em vão. Mas não me falem em Luxemburgo, peloamordedeus...
Quarta-feira, 9 de Julho de 2008
Midsommar em Jonköping (2)
Como postei anteriormente, no dia 21 de junho foi feriado aqui na Suécia em comemoração ao midsommar. Eu e alguns amigos fomos convidados por duas amigas suecas — as que conhecemos no navio na viagem à Riga — pra passar o feriadão em Jonköping, onde elas moram.
No midsommar aqui na Suécia as pessoas comemoram comendo e bebendo, mais ou menos como a gente faz no natal ou mesmo nas festas juninas (que nada mais é que uma adaptação do midsommar europeu). Assim como no Brasil se fazem coisas estranhas como pular a fogueira e subir no pau de sebo, aqui na Suécia eles erguem um mastro chamado midsommarstång (ou majstång) e dançam ao redor dele. O mais comum é dançar a tal dança do sapo (små grodorna):
Små grodorna, små grodorna är lustiga att se.Esse é o refrão; depois dele o povo todo começa a pular imitando sapo e fazendo uns sons tipo quá-cá-cá. Mais ou menos como no vídeo do YouTube que postei anteriormente. Claro que a grande quantidade de álcool consumida nesse dia ajuda a melhorar a interpretação... ;-)
Små grodorna, små grodorna är lustiga att se.
Os sapinhos, os sapinhos, são engraçados de se ver.
Ej öron, ej öron, ej svansar hava de.
Ej öron, ej öron, ej svansar hava de.
Nem orelhas, nem orelhas, nem rabo eles têm.
Voltando à viagem: saímos de Ronneby na sexta de manhã e chegamos em Jonköping perto do meio-dia. Encontramos as gurias lá e fomos fazer compras pra janta. Uma das gurias, a Matilda, é do norte da Suécia e insistiu que nós devíamos comer o tal do surströmming.
O surströmming é um peixe que depois de pescado é fermentado em barris por alguns meses e depois enlatado. A fermentação continua dentro da lata, o que a deixa sob pressão. Depois de mais ou menos um ano dentro da lata está pronto pra ser consumido. Imaginem só o que acontece quando se abre uma lata cheia de peixe cru fermentado (que pra mim é eufemismo para podre) por um ano ou mais, e ainda sob pressão... Só pra se ter uma idéia, por causa do cheiro o povo aqui abre a lata e come o conteúdo fora de casa. Algumas empresas aéreas não permitem o transporte de surströmming dentro da bagagem por considerarem material perigoso.
Mas nós somos machos, então abrimos o surströmming dentro de casa. Foi uma experiência incrível: basta abrir um pouquinho a tampa que a pressão se encarrega de espalhar o maravilhoso aroma, algo como uma cova sendo aberta com alguns corpos em decomposição dentro. É inacreditável como funciona para abrir o apetite! Mais ainda quando se pega o peixe cru, põe no prato, corta a barriga, tira a buchada (o peixe é enlatado inteiro, apenas a cabeça é retirada), esmaga o resto, tira a espinha, e espalha o peixe num tipo de pão e se come tipo um sanduíche. A primeira mordida foi uma experiência que mudou a minha vida: a partir de agora não tenho mais medo de nada, nem da morte.
(Tem uns vídeos de pessoas provando o surströmming no YouTube.)
Enfim, depois da exótica janta fomos pro parque pra dançar a tradicional dança do sapo. Ficamos lá um pouco e voltamos pra casa dormir.
No sábado saímos pra dar umas voltas pelos arredores de Jonköping. Gostei de Gränna, uma cidadezinha bem simpática lá perto. Quando estávamos voltando pra Jonköping resolvemos tomar um banho de lago (Jonköping fica ao lado do maior lago da Suécia, e segundo me disseram, um dos maiores do mundo). Detalhe: estava nublado e ventando, e acho que a temperatura era por volta de 10 graus. Duvido que a água estava mais quente do que uns 5. Não é tão ruim: depois de dar um bico na água (o único jeito, porque se enfiar o pé antes o cara não entra depois de jeito nenhum) e sentir a sensação de 20 facas cortando o corpo, até que melhora. Isso até uns 3 minutos dentro da água, que é quando eu achei que ia morrer e resolvi sair. (Sim, sim, ainda tenho medo da morte.) Agora entendi porque o Leonardo DiCaprio morre no fim do Titanic...
Sábado à noite jantamos e domingo de manhã não fizemos nada de especial. Domingo à tarde voltamos pra Ronneby.
Enfim, foi um feriadão bem divertido. Comi surströmming e nadei na água gelada. No próximo ano quem sabe vou tentar bungee jumping ou roleta russa.
P.S.: Eu ainda não publiquei todas as fotos da viagem. As que eu publiquei estão no Facebook: a janta e a dança no parque. Quando publicar as demais eu aviso.
