2007-03-26

Göteborg

Saímos no sábado às 8h10 da manhã com destino à Göteborg. Depois de pegar dois ônibus e um trem, chegamos lá aí pelas 14h. O tempo estava perfeito, sol e calor (uns 15 graus, eu imagino). Da estação central fomos direto rumo ao hotel para deixar nossas coisas antes de ir ao estádio Ullevi.

Não precisou nem 10 minutos caminhando em Göteborg para mim me perguntar o que estou fazendo em Ronneby: somente em uma única esquina eu vi mais mulheres bonitas do que eu vi durante todos os 2 meses que estou na Suécia. Eu não acreditava no que eu estava vendo. Pra qualquer lado que eu olhasse eu via loiras, muito, mas MUITO gatas. Um monte usando bota e saias, deixando as pernas absolutamente perfeitas de fora. E a grande maioria das mulheres eram lindas, umas modelos. Eu e o Andrigo paramos para consultar o nosso mapa e descobrir qual caminho tomar para o hotel, e não passou 5 segundos antes de duas mulheres (lindas por sinal) pararem espontaneamente para nos dar informação. Depois que elas nos orientaram e nós nos despedimos delas eu disse pro Andrigo que ele podia vender minha passagem porque eu não ia mais voltar para Ronneby. :-)

Mas enfim.

Achamos o hotel, deixamos lá nossas coisas, e tomamos o rumo do estádio Ullevi. No caminho até lá começamos a enxergar multidões inteiras de pessoas vestindo a camiseta do Chile. Isso se explica porque a Suécia abrigou muitos chilenos que fugiram da ditadura do Pinochet, então a comunidade chilena aqui é muito grande. Passamos a bilheteria, a segurança (que era figurativa, porque não revistou coisa nenhuma) e entramos no estádio. Lá dentro tinha mais ou menos umas 20 camisetas do Chile para cada uma brasileira, e isso que a maioria das pessoas que vestia verde-amarelo não era do Brasil.

Sem perder tempo começamos a agitar no estádio. Abrimos o cartaz que a gente fez e defraldamos a bandeira brasileira. Não demorou muito apareceu um outro louco também segurando um cartaz e usando a camiseta do Vasco. Ficamos amigos do cara, o nome dele é Gustavo e ele é de Volta Redonda, no Rio. Acontece que os suecos são muito chatos, não estão acostumados ao agito, e começaram a reclamar da nossa gritaria. Então saímos dos nossos lugares e fomos bem pra trás, no corredor atrás das cadeiras, onde não tem ninguém. Ficamos pulando ali e gritando. Os suecos achavam aquilo uma coisa do outro mundo, tiravam foto da gente e tudo o mais. Não demorou muito chegou algum funcionário do estádio e mandou a gente sentar, porque não poderíamos ficar ali. Tentamos argumentar que ali era o único lugar que nós poderíamos ficar que não incomodaríamos ninguém (e era verdade, não estávamos incomodando ninguém ali) mas não teve jeito. Tivemos que voltar para os nossos lugares. Daí foi um saco, porque não dá pra levantar nem nada, porque os que estão atrás ficam reclamando. E os chilenos gritando sem parar, e nós tentando puxar um coro pra revidar, e nada.

No que acabou o primeiro tempo levantamos lá dos nossos lugares e fomos pro lugar de antes, atrás das cadeiras, gitando e tentando ser filmado. Nós enxergamos lá embaixo o Mauro Naves e o Tino Marcos, da Globo, e eu comecei a gritar chamando os caras. O Mauro Naves viu e avisou o câmera, que começou a filmar eu e o Andrigo segurando o cartaz, pulando e agitando. Nós já estávamos bem faceiros que íamos aparecer na TV, mas aparentemente os caras não colocaram no ar. O carioca também foi filmado mas não apareceu.

Começou o segundo tempo e tivemos que voltar para os nossos lugares. Continuou o passeio do Brasil e nós querendo agitar e tendo que ficar sentados (eta povo careta). Apareceu uma escola de samba do nada, das cabines da imprensa (só pode ser a Globo que leva esse pessoal pros jogos) e metade dos suecos nem olhava mais o jogo, só pras mulatas (feias por sinal), achando tudo o máximo.

Tudo continuou normal até o final, quando começaram as invasões de campo. Eu já fiquei pensando no jogo inteiro como é que pode ter simplesmente um cercadinho de um metro de altura separando o povo do campo, e que aquele tipo de coisa seria impossível no Brasil. Até comentei isso com o Andrigo, que só na Suécia mesmo. Queimei a língua. Foi só passar os 45 do segundo tempo que uns dois ou três loucos invadiram o campo. Os seguranças, não acostumados a esse tipo de coisa, saíram todos atrás dos malucos e assim deixaram o lugar que estavam desprotegido. Daí já viu: começou a invasão de uns 20 neguinhos ao mesmo tempo. Teve um que deu umas 3 voltas no campo até conseguirem pegar ele, foi muito hilário. A torcida se divertia com o cara, ele saltava por cima dos seguranças, parecia uma tourada.

Ok. Acabou a festa e nos encontramos com o carioca-vascaíno de novo na saída do estádio e ele convidou a gente para ir numa feijoada brasileira que ia acontecer num clube perto do Ullevi. Botemo. Comemos uma feijoada, regada a guaraná Antarctica e capirinha, ao som de samba, axé, músicas de carnaval, essas coisas. Metade do pessoal lá não era brasileiro, eram caras que estavam lá para conhecer os, digamos, atributos das sambistas. E acho que eu posso adivinhar qual é o ganha-pão da maioria das mulheres que estava lá no clube sambando aquele dia...

O carioca foi embora e nós também, nos despedimos dele e fomos pro hotel recarregar as baterias pra sair na noite. Depois de descansar um pouco, nos arrumamos e saímos caminhar pelas ruas de Göteborg, à procura de um lugar bacana. (É realmente uma pena que não se possa mais fazer esse tipo de coisa no Brasil.) Como nós não tínhamos a mínima noção dos lugares legais, nós demos uma volta procurando os que tinham maior fila na entrada porque provavelmente seriam os mais concorridos, e portanto, melhores.

Achamos um lugar que tinha só deusas na fila. Pensamos: é esse! Esperamos um pouco na fila e quando eu entrei lá no ambiente eu pensei que tinha morrido e estava no céu: 3 mulheres para cada homem, e só modelos. Quero dizer, a Gisele Bündchen passava vergonha lá dentro. Já comprei uma Carlsberg e me atraquei na pista de dança. A mulherada dançando no palco e eu enlouquecido no meio da pista. E aqui na Europa a mulherada te encara mesmo, e eu fiquei todo entusiasmado e me fui dançar com uma louca. E o jeito que a mulherada dança aqui é f..., elas se esfregam de verdade no cara. Mas se esfregam mesmo. E eu pensando: tá pra mim! E aconteceu o que todo mundo que veio pra Europa antes que eu me disse que acontece, mas eu não acreditava: as mulheres se esfregam, mas na hora de realmente beijar elas negam fogo. Pra elas é só diversão. Pra elas pode ser, mas pra mim é tortura!

Enfim, nos divertimos na boate lá e depois fomos pro hotel. Acordamos às 10h porque tínhamos que fazer o check-out às 11h, e saímos dar uma volta pela cidade. Como o tempo continuava bom, ensolarado e quente, tinha milhares de pessoas caminhando nas ruas e sentadas nos bancos, pegando sol. O comércio estava aberto, então também compramos algumas coisas.

Passamos a tarde assim, passeando e tirando fotos. Estávamos bem tranqüilos e despreocupados quando o Andrigo viu o relógio da torre: 17h50. Esse era exatamente o horário que tínhamos que pegar o trem de volta. Eu olhei o meu relógio e ele marcava 16h50. Falei pro Andrigo: “Relaxa, o relógio aí tá errado”. Andamos mais um pouco e todos os relógios que a gente encontrava estava marcando 17h50. Daí vimos que alguma coisa estava errada, e nos demos conta que naquele domingo tinha começado o horário de verão e nós não sabíamos. Quando chegamos na estação é lógico que o trem já tinha saído, e era a última conexão possível para Ronneby naquele dia. Nós teríamos que ficar mais uma noite e morrer com as nossas passagens. No desespero fomos falar com um dos atendentes da estação, aplicamos uma trova (brasileiro é f...) dizendo que nós éramos turistas e não sabíamos do horário de verão, e ele remarcou as passagens pra nós no outro dia de manhã sem nenhum custo adicional. Yes!

Mas ainda tínhamos um problema. Onde passar a noite? Ra-rá: lembra do carioca que nós encontramos no jogo? Ligamos pra ele e pedimos pouso no apartamento do cara. O cara foi muito parceiro, deixou nós dormirmos por lá porque as outras pessoas com quem ele divide apartamento estavam viajando então tinham quartos vagos. Foi muita sorte: além de não termos que pagar nada para remarcar a passagem, também conseguimos lugar pra ficar de graça.

Bom, foi essa a aventura do fim de semana. Depois de 7h de viagem cheguei hoje de volta em Ronneby, quase um dia depois do previsto. Na semana que vem provavelmente irei conhecer Estocolmo.

P.S.: Assim que puder vou disponibilizar as fotos no meu álbum no flickr.