2007-05-11

Prostituição

Em Hamburgo a prostituição não é crime, assim a partir das 18h é possível ver as “tias” tentando ganhar o seu pão de cada dia. Nada diferente do Brasil, a não ser que em Hamburgo as tias começam um pouco mais cedo.

O que achei muito curioso foi a reação da Andrea, que como eu falei no post anterior saiu com a gente lá por lá. Ela, sendo sueca, não está acostumada com isso porque na Suécia a prostituição é proibida. Ela fica escandalizada quando vê mulheres vendendo seu corpo na rua, isso não entra na cabeça dela. Ela não concorda com o fato da prostituição ser liberada, para ela deveria ser proibido como é na Suécia.

Como falei, achei isso muito curioso porque como sendo brasileiro estou acostumado a ver prostituição; isso não é uma coisa que me surpreende. E realmente essa posição dela me fez pensar um pouco. Claro que de um ponto de vista estético e turístico, ter prostitutas nas ruas durante a noite não é lá muito desejável — a não ser para turismo sexual, é claro. Mas ao mesmo tempo, a maioria das mulheres que atuam neste “ramo de negócio” não estão fazendo porque assim o querem, mas porque realmente precisam do dinheiro e não têm nenhuma outra opção. Claro que algumas gostam do trabalho ou do dinheiro fácil, mas aposto que não é a maioria.

Argumentei com a Andreia que embora concorde com ela em princípio (não é bonito ver prostitutas nas ruas), acho que criminalizar a atividade não é a solução. Porque isso não vai resolver o problema da maioria das mulheres, que é a falta de um emprego que as sustentem. Então por necessidade elas vão continuar atuando, mas agora ilegalmente. Não obterão nenhum benefício, como aposentadoria ou seguro social. (No Brasil elas ainda não têm, mas essa é outra questão.) E o que é pior, atuando na clandestinidade elas estão desprotegidas e tornam-se reféns dos seus clientes e cafetões: quando forem vítimas de qualquer caso de violência elas não podem procurar a polícia, pois se revelarem que são prostitutas serão indiciadas criminalmente.

Essa diferença cultural é muito interessante, pois embora os países nórdicos sejam bem pouco religiosos, a prostituição aqui é um tabu. É estranho, pois a prostituição simplesmente obedece à lei da oferta e da procura: enquanto houver procura (e todos sabemos que sempre vai haver procura), há oferta. Mesmo que seja daquelas que só querem dinheiro fácil, até porque aqui quase nenhuma entraria nesse ramo por necessidade. Neste caso não vejo problema nenhum do ponto de vista moral: esse tipo de mulher para mim não é diferente daquela que está comigo só porque eu tenho dinheiro ou um carro bacana (o que não é o meu caso, infelizmente): a prostituta é até mais sincera, porque ao menos nesse caso ela não esconde o que quer.

Mas essa é apenas minha opinião, não sei se todos concordam. De qualquer forma estão livres para deixar um recado com a sua própria, mesmo que seja para me xingar :-).

E se o pessoal daqui se escandaliza desse jeito, imagine se eles vissem o que acontece na maioria das praias e capitais do Nordeste (e não só lá, basta andar de noite na faixa nova de Camobi): gurias de 16 anos, 14, ou até mais novas vendendo o corpo por uns 20-30 reais. Isso sim é triste.