2007-10-17

Revelado o segredo (2)

Bom, como prometi no post anterior vou revelar agora o que é a Spidexa. Mas antes, algumas considerações.

No mesmo dia que assinei meu contrato eu também assinei um NDA, ou non-disclosure agreement, que basicamente é um papel que diz que eu não posso revelar nada sobre o que a empresa está desenvolvendo ou quaisquer planos para o futuro. Mesmo agora que parte da idéia já foi revelada eu tecnicamente estou sob o efeito do NDA, então tive que obter permissão da companhia para escrever este post. Não posso revelar nada que não esteja em spidexa.com, então propositalmente não irei entrar em muitos detalhes, principalmente no que se refere a pagamentos e custos de envio. Quem quiser mais detalhes pode perguntar deixando um comentário, mas algumas coisas não poderei responder.

Bom, vamos ao que interessa: a Spidexa oferece basicamente um serviço para reduzir o risco nas transações via Internet. Imagine que C é uma pessoa que mora no Rio Grande do Sul e quer comprar alguma coisa, digamos a revista do Pato Donald número 1 publicada no Brasil em julho de 1950. Procurando na Internet, C achou a revista à venda em algum site (de leilão ou não, não vem ao caso) sendo vendida por um vendedor V que mora no Acre e quer R$ 100 (pros curiosos, na época a revista custou Cr$ 3). Daí C entra em contato com V dizendo que quer comprar a revista (ou se o site for de leilão, C dá o lance ganhador). Vamos, por agora, ignorar que existem serviços como o Sedex pago ou coisas do tipo (depois chego lá). O grande dilema está que V não irá mandar a revista pro C antes de C pagar V, pois V não quer mandar a revista e depois ficar sem receber. Ao mesmo tempo, C pagando V corre o risco de V não mandar nada (ou mandar o Pato Donald 2350 que vale R$ 2,95) e C ficar vendo navios.

Claro que existem serviços como o Sedex pago, onde V pode mandar o pacote e C paga ao receber. Mas a questão é que C tem que pagar antes de abrir o pacote, então ele não sabe se o que tem dentro é mesmo a revista PD nº 1 ou apenas um papel dizendo “otário”.

Existem também outros serviços onde C paga para um intermediário I, que retém o dinheiro mas confirma o pagamento a V, que manda o pacote. C recebe o pacote e, caso tenha recebido o combinado, diz para I transferir o valor para V. Até aí tudo bem. O problema é em caso de disputa. Se C não receber o combinado ele reclama para I, que irá contatar V. Se V disser que mandou tudo direitinho, como I sabe quem está mentindo? Pois C pode ter recebido o combinado mas estar mentindo, pois quer ficar com o dinheiro. Na maioria dos casos I irá ficar com o dinheiro e o caso irá se arrastar por semanas ou até meses, dando a maior dor de cabeça para a vítima (seja C ou V). Ou seja, na prática C tem que confiar em V (e vice-versa) caso contrário é dor-de-cabeça na certa. Os serviços existentes que funcionam como intermediário não resolvem 100% do problema.

Isso antes da Spidexa.

Usando o serviço da Spidexa, C e V negociam um preço (ou C dá o lance ganhador num leilão, não interessa). V então entra no site da Spidexa e entra com os dados da transação (descrição, preço, etc.), mais alguns dados seus e diz quem é o comprador. A Spidexa irá agir como um intermediário na transação, exatamente como no exemplo anterior. Mas aqui está o pulo-do-gato: V também vai entrar no site o checkpoint para qual C quer que V envie a mercadoria.

Checkpoint?

A Spidexa vai ter checkpoints, que são basicamente lojinhas onde os vendedores enviam pacotes. Os compradores podem ir lá e inspecionar o conteúdo dos pacotes antes de decidir se vão querer aprovar a transação ou não. Ou, voltando ao nosso exemplo, V vai entrar no site o checkpoint escolhido por C e criar a transação. Então C será notificado e irá entrar no site da Spidexa. Aceitando a transação, C irá pagar a Spidexa enquanto que V irá mandar o pacote para o checkpoint. Assim que o checkpoint receber o produto C será avisado e irá até lá, onde será atendido por um funcionário e poderá abrir o pacote e conferir se dentro estava mesmo o PD nº 1. Caso esteja, tudo tranqüilo: a Spidexa irá transferir o dinheiro para V. Caso não esteja, C recebe o dinheiro de volta e V recebe seu pacote de volta. Caso o pacote nunca chegue ao checkpoint, naturalmente C também não perde seu dinheiro.

Mas vocês podem se perguntar: para isso funcionar a Spidexa vai ter que ter checkpoints em um monte de cidades, certo? Exatamente. Mas a Spidexa vai ter cacife pra abrir checkpoints em tudo que é lugar? A questão é que não precisamos. A Spidexa não vai abrir seus próprios checkpoints. A Spidexa vai firmar convênios com as lojas tradicionais e usar o espaço físico das mesmas para armazenar e entregar os pacotes. Por exemplo, em Santa Maria poderiam ser checkpoints as lojas Arno, a Microsul (ou sejá lá que nome tem hoje) e a Livraria Globo. O comprador escolhe a que quiser, provavelmente a mais perto de casa ou do trabalho.

A Spidexa é o primeiro intermediário que realmente funciona em caso de disputas. Na verdade, não há disputa. Caso V não mande o combinado, C pode retornar a mercadoria e não perde um tostão. Se C ficar com a mercadoria, V pode ter certeza que irá receber o dinheiro.

Claro que existem inúmeros detalhes que não abordei aqui. Um motivo é para não deixar este post excessivamente longo, o outro é que existem limites no que posso revelar.

Então é isto que eu estou fazendo desde que cheguei aqui: desenvolvendo o site, o sistema central que controla tudo, o sistema que controla os pagamentos e recebimentos, o sistema que irá rodar nos checkpoints, entre outros. Gerenciar tudo é extremamente complexo e existem milhares de casos que devem ser lidados, garantindo que em todos os casos ninguém (comprador e vendedor) saia perdendo, mesmo que alguém (ou mesmo ambos) maliciosamente queira obter vantagem e burlar o sistema.

Basicamente é isso. Quem tiver perguntas pode deixar um comentário aqui, mas como já falei não posso prometer que irei responder a tudo, pelo menos por enquanto.