Tenho que confessar: nunca fui lá muito interessado em carros; carro para mim sempre foi um meio de transporte capaz de levar-me do ponto A até o B. Claro que é muito legal ter um carro bonito, lembro que no Brasil eu gostava muito do Peugeot 206 e é óbvio que gostaria de ter uma BMW ou Audi ou então uma Ferrari ou um Porsche (posso sonhar, não posso?). E eu gosto de dirigir, a primeira coisa que fiz quando completei 18 anos foi tirar a carteira de motorista.
Acontece que ter um carro pra mim nunca foi prioridade. Sem dúvida carro é um conforto, é bom ter, mas eu sempre achei que eu não precisava realmente de um. Eu podia pegar o ônibus para ir trabalhar, e ir de táxi para as baladas já que Santa Maria (RS) onde eu morava não é muito grande então as corridas de táxi são baratas. Eu achava que carro era um investimento muito caro, tanto para comprar como para manter (seguro, impostos, manutenção, etc.) e como pra mim não era algo indispensável eu preferia gastar o meu dinheiro em outras coisas que me traziam mais prazer ou até mesmo apenas guardá-lo, se mais tarde eu mudasse de idéia poderia dar uma entrada maior ou até mesmo comprar à vista.
Mas acredito que eu seja parte de uma minoria. A grande parte dos meus amigos comprou um carro assim que começou a trabalhar. Eu cansei de ter que responder à pergunta “e aí, quando vai comprar um carro?” a meus amigos e parentes e de ouvir “abre essa mão de vaca, deixa de ser pão duro e compra um carro de uma vez”. Obviamente devo ter algum problema. Quando eu respondia “ter um carro é legal, mas não tenho vontade de comprar um no momento” pela reação da outra pessoa eu imaginava que ela estava pensando em me internar num manicômio ou algo assim.
Demorei um tempo para entender que eu estava desafiando a ordem das coisas. Carro não é meio de transporte; é símbolo de status. Agora que tenho um emprego, tenho renda, não posso mais andar de ônibus. Tenho que ter meu próprio carro, uma afirmação da minha nova realidade sócio-econômica. Não interessa se tenho que financiar o carro em 99 prestações, se vou me apertar, com o carro eu sou diferente. Sou alguém. A prova disso é que muita gente compra um carro sem ter a mínima condição para tanto. O post que mencionei acima aborda exatamente isso:
Nem todo mundo pode ter um helicóptero. Engraçado, uma afirmação deste tipo raramente gera algum tipo de discussão - particularmente, nunca vi alguém discordar. O raciocínio por trás da verdade parece óbvio: um bicho desses custa uma fortuna, logo, só os muito ricos podem comprá-lo. Pois é, mas "antes fosse só isso", como já vi alguns deles dizerem. A questão está no custo de manutenção e nas agendas de reparo, afirmam também revistas especializadas.
Mas por que falar de helicópteros por aqui? Claro que estou longe de tal sonho, portanto o tema não tem relação nenhuma com a minha realidade. A verdade é que eu resolvi trazer tal afirmação para nosso dia a dia, tentando adaptá-la: tenho dito com frequência que nem todo mundo pode ter um carro.
Isso acontece freqüentemente também:
Tão logo o carro sai da concessionária ou loja e vai parar na garagem, algo mágico acontece em torno das finanças de muitas famílias: o automóvel se transforma em helicóptero. Quem paga o combustível do dia a dia? E o seguro, o IPVA, a troca de óleo, o pedágio, a manutenção preventiva (revisão), a troca de pneus, os pequenos reparos, o estacionamento, a lavagem? Advinhe o desfecho: a família deixa de priorizar momentos de alegria, qualidade de vida e bem-estar porque as despesas e o pesado carnê estrangulam suas finanças. Por 36, 48, 60, 72 meses.
E continua:
Se não for assim, o brasileiro não consegue comprar! Adoro ouvir frases como essa. O som das palavras é entusiasmado, repleto de sentimento e emoção. São justificativas vazias. E só. Na prática, o que acontece é muito diferente: o valor do carro, inflado pelos juros do financiamento a perder de vista, soma-se ao mundo de contas e despesas e, muitas vezes, o caos se instaura. A razão de alegria vai ficando encostada, mal tratada, perdendo muito de seu valor.
O conforto antes proporcionado se converte em carnês atrasados, impostos devidos e falta de manutenção. Com peças do mercado paralelo, a segurança começa a ficar comprometida e os passeios já não são tão divertidos. O carro enguiça, para no meio da serra e exige destreza quando seus pneus, completamente carecas, insistem em complicar a direção na chuva. Mas, é claro, o que importa é que a família tem um carro, ou melhor, um helicóptero. Imagine a cara dos vizinhos olhando para aquele bicho estacionado logo ali...
Hum... Preste a atenção na frase: ”Imagine a cara dos vizinhos olhando para aquele bicho estacionado logo ali”.
Tem mais:
Você já deve ter se dado conta de que sou daqueles que compra à vista, com desconto. Compartilho a breve narrativa da compra de meu automóvel atual, nos idos de 2007. Eu tinha cerca de R$ 45 mil para comprar o carro, guardados e poupados com muito trabalho. Ao analisar as opções, tarefa que levou 6 meses, optei por um carro de pouco mais de R$ 40 mil (completinho). Com a grana que tinha pude pagar o licenciamento, seguro, imposto etc. Ao contar feliz a novidade para os amigos, ouvi: "Burro, devia ter usado a boa grana como entrada e sair com um carrão bem melhor. Ou podia ter pego um usado importado ou de uma categoria acima, muito melhor também". Brindei ao burro e todos rimos bastante. O resto é história.
Bingo! Ele é burro, porque o correto é desfilar com o melhor carrão possível. Não interessa se não vai ter dinheiro para mais nada, nem para manter o carro, o que interessa é que é um carrão, que é de uma categoria acima.
Veja bem, não estou dizendo que todo mundo tem que andar de Fusca, nem criticando quem quer ter um carro bom. Quem não gosta de andar bem vestido, ou ter móveis bonitos no apartamento, ou um relógio legal? Tudo isso também é símbolo de status, afinal. E cada um gasta seu dinheiro da forma que melhor lhe convém. Só estou constatando uma realidade: a preocupação com o carro e o status no Brasil é muito grande (não só no Brasil, nos EUA também, mas só posso falar da realidade que conheço). Veja só, em outro post no mesmo blog:
Tratar da compra de um automóvel é assunto que sempre me traz muitos problemas. Por que? Ora, a matemática aplicada aos recursos disponíveis pelas famílias comprova, em muitos casos, que a compra do carro não é uma atitude saudável. Em alguns casos, tal gasto não é sequer necessário. Mal termino de demonstrar os efeitos da compra e os ruídos começam.
A fala ensaiada "Mas o crédito hoje em dia facilita a compra do carro. Afinal, agora podemos parcelar usando juros mais baixos e através de prestações também mais em conta" é uma das preferidas dos jovens loucos para ter um carro. O apelo "Usar o transporte público e andar de bicicleta são atos que envergonham meus filhos e acho que as prestações cabem em nosso orçamento" também é comum.
Guarde esta frase, vou comentar sobre isso depois: “Usar o transporte público e andar de bicicleta são atos que envergonham meus filhos”. No mesmo post:
Portanto, para o cidadão comum, carro não é investimento, não é ativo. Carro é passivo, é sinônimo de despesas e gastos extraordinários capazes de furar qualquer orçamento. Ah, e sem drama por favor. Isso é um alerta, não uma mensagem apocalíptica pregando a caminhada diária para o trabalho e dias de aperto no transporte público.
Se preferir, dou o recado de forma mais direta: há aqueles que, independente da oferta de crédito e do "chorôrô" da família, não podem ter um carro. Nem do mais simples e barato. Simples assim, muito embora muitas pessoas adorem vir até aqui e insistir nas patéticas desculpas que envolvem sociedade, cobrança, vergonha e orgulho. Interessante, humildade na compra do carro pouca gente gosta de discutir. Por que será?
Bom, já estou batendo demais na mesma tecla. Pra mim é escancarado que para muita gente carro é não apenas meio de transporte, mas símbolo de status e ascensão social. E muita gente faz o possível e impossível para ter um veículo que é totalmente incompatível com sua capacidade financeira, tudo pela oportunidade de mostrar o possante para o vizinho, ou para as gatinhas na balada, enfim. Para ser alguém. Porque quem anda à pé não pode ser alguém.
Mas aonde quero chegar? Quero fazer um paralelo com a Suécia.
Depois que vim para a Suécia fui exposto a uma cultura bem diferente. Uma cultura onde andar de ônibus ou de bicicleta não é vergonha nenhuma; pelo contrário, é totalmente encorajado. E aprendi com isso algumas coisas.
Na Suécia, é claro que as pessoas (estou falando de forma geral, não dá pra botar o povo todo de um país no mesmo saco e exceções sempre vão existir) também gostam de ter um carro legal mas não têm essa obsessão toda de comprar um carro acima de suas possibilidades. Nem de já sair comprando um carro só porque arranjou um emprego. Aqui, o povo compra um carro porque precisa ou tem as condições para isso. E muitos que têm carro mesmo assim vão trabalhar de ônibus ou de bicicleta.
Por que isso? Acontece que a Suécia é um país muito mais igualitário que o Brasil (não que seja muito difícil, o Brasil é um dos países mais desiguais do planeta) e não existe muito esse conceito de classe como existe no Brasil. Claro que há ricos e pobres, mas não é nem de longe o mesmo abismo. Não existe a preocupação de termos que nos diferenciar de, ou nos misturarmos com, a “classe que anda de ônibus”, da “classe que anda de bicicleta”.
Claro que um grande fator é que não dá para comparar a qualidade do transporte público. Os ônibus são limpos e silenciosos, em todas as paradas há a placas com as linhas e os horários (muitas delas são eletrônicas e mostram em tempo real quanto tempo falta para passar o ônibus) e os ônibus são na maioria das vezes pontuais. Se preferir pedalar, há ciclovias por todo o lugar, a maioria das calçadas tem espaço reservado para o tráfego de bicicletas, e quando não tem nenhum dos dois é perfeitamente seguro andar de bicicleta na rua porque todos os carros respeitam. (Em contrapartida é exigido que as bicicletas tenham buzina, luzes frontais e traseiras e refletores nas rodas. Se estiver andando na rua é obrigatório seguir todas as leis de trânsito, inclusive dando sinais de mão se for dobrar à esquerda ou direita. É obrigatório sempre dar preferência ao pedestre, se ele botar o pé na faixa tem que parar. Para tudo isso há multa para o descumprimento.)
Mas mesmo assim acho que grande parte do fator é cultural. Mesmo que no Brasil o transporte público fosse bom, e fosse seguro andar de bicicleta, será que seria normal ver gente engravatada no ônibus para ir trabalhar? Ver seu chefe chegando no serviço de bicicleta? Eu sinceramente tenho minhas dúvidas.
Aqui tudo isso é a coisa mais normal no mundo (acho que na Dinamarca mais ainda que na Suécia, vejam as fotos aqui das pessoas voltando do trabalho ou das bicicletas estacionadas na calçada). Já vi gente de terno e gravata pedalando. E esse comportamento é altamente estimulado pelos governos. Sabem por quê? Por uma realidade muito simples: as cidades não comportam que todo mundo tenha carro. Não há espaço. Não há lugar para todos.
Em absolutamente todos os lugares aqui tem que pagar para estacionar, e muitas vezes no centro não é nem possível passar de carro, o espaço é reservado apenas para pedestres (vide aqui e aqui). Estacionar é um problema, e os prédios não têm garagem: todo mundo têm que deixar o carro na rua (e pagar por isso, claro). No meu prédio há lugares na rua reservados, mas não para todos os apartamentos; o tempo médio de espera por uma vaga está em três anos.
Lembro que uma vez o Paulo Sant'Ana (pros leitores de fora do RS, é um famoso comentarista gaúcho) comentou que para ele um dos motivos do centro de Porto Alegre ser tão sujo e abandonado é porque carros não podem passar por ali, e que se isso fosse mudado o centro iria revitalizar-se. Na época concordei com ele, mas agora vendo os exemplos na Europa fui obrigado a mudar totalmente minha opinião. Isso que ele está pregando vai totalmente contra a direção que os países daqui estão tomando, e como eu conheço ambos os exemplos posso dizer sem medo de errar que o modelo daqui é muito melhor. Quanto menos carros, melhor fica.
Olhe o caos nas cidades brasileiras na hora do rush. A maioria dos carros tem apenas um ocupante. Faz sentido isso? Faz sentido o cara tirar o carro da garagem, gastar um tempão no congestionamento e gastar gasolina e poluir o ambiente para chegar no trabalho, estacionar e deixar o carro lá parado o dia inteiro ocupando espaço? Por que não investir no transporte público, por que não estimular as pessoas a ir de bicicleta e deixar o carro em casa?
Outro desestímulo é que os carros na Suécia não são nada baratos em comparação com o resto da Europa. Na Dinamarca é muito pior, tanto que eles consideram os carros na Suécia baratos. O imposto é caro, o seguro também. Ouvi falar que para tirar a carteira de motorista na Suécia, se o cara fizer todas as aulas teóricas e práticas, custa uns R$ 5.000. E para poder andar com o carro é obrigatório ter seguro que cobre terceiros, mas não aquele que protege você dos terceiros e sim o que protege os terceiros de você: se você bater e machucar alguém ou danificar alguma coisa a vítima está totalmente coberta pelo seu seguro. Não é como aqui onde se alguém é atropelado ou tem o carro danificado tem que torcer para o culpado ser rico e ter dinheiro para pagar, ou fica vendo navios.
Voltando à questão do status: no Brasil, ainda mais importante que ir trabalhar de carro é sair na noite de carro. Chegar na balada de táxi já não é visto como algo tão legal (se veio de táxi é porque não tem carro), e quem tem coragem de chegar de ônibus ou de bicicleta? Vai explicar pra alguém daqui que é popular no Brasil o povo se reunir num posto de gasolina para beber (!) e ficar exibindo as máquinas, quando não o sistema de som caríssimo e impor suas preferências musicais goela abaixo dos outros.
Aqui todo mundo vai na balada de ônibus ou bicicleta. Sabem por quê? Simplesmente porque é proibido beber e dirigir, é impensável, absolutamente ninguém faz isso. Já vi duas mulheres muito bonitas e bem vestidas indo embora da balada de bicicleta, uma pedalando e a outra na garupa. É normal. Na verdade até isso muita gente evita de fazer, porque se a pessoa for pega pela polícia andando de bicicleta com nível de álcool no sangue acima do limite ela tem que pagar multa e se tiver carteira de motorista é apreendida, como se estivesse dirigindo um carro. Táxi é uma opção para poucos porque é extremamente caro.
Por causa de tudo isso não faz muito sentido ter um carro só por causa do status, afinal o que adianta se não dá pra chegar de carro nas baladas e mostrar pras gatinhas? A menos que queira ir para a balada e ficar bebendo água... Já no Brasil a gente acha que o nosso direito de sair de carro na noite vale mais do que a vida das pessoas que a gente vai colocar em risco quando voltamos dirigindo bêbados para casa. Tudo pelo status.
Mas mesmo assim é claro que existem na Suécia as pessoas que têm dinheiro e compram um carro legal, acima da média. Sabem o que muitas delas fazem? Mandam tirar o nome do modelo ou a potência do motor da lataria, para não chamar atenção. Porque têm vergonha. Porque não querem passar uma imagem de que se acham superiores às outras. Porque não querem que as outras pessoas achem que elas compraram o carro só para aparecer.
Surpreendente, não é? Já imaginou alguém no Brasil pagando R$ 100.000 por um carro ou caminhonete e mandando tirar o nome e a potência da lataria? Quando ouvi essa história a primeira vez achei a maior bobagem do mundo, mas agora que estou aqui por quase 3 anos estou começando a entender melhor. Virando sueco, talvez?
Moral da história: aqui não se dá tanta bola para carro. Isso é uma conseqüência de que de forma geral ninguém dá a mínima para o que você tem, tanto que quem tem não quer demonstrar.
No Brasil ainda dividimos a sociedade em castas. Duvida? Você tem empregada? Conhece alguém que tem? Digamos que ela trabalhe 40h por semana na sua casa, você aceita pagar para ela 60% do que você ganha, pagar FGTS, décimo-terceiro, férias? Não? Acha um absurdo? E por quê? Por que você merece e ela não? Não será porque considera o seu tempo, seu esforço, mais importante do que o dela?
Será que tanta gente abomina o ônibus porque o serviço é ruim (e é ruim mesmo, todo mundo sabe disso) ou porque vai se misturar com os “comuns”, a casta dos sem-carro? Será que não se anda de bicicleta porque é perigoso (e é muito, realmente) ou porque andar de bicicleta não pega bem para alguém mais abonado? Eu acho que é uma mistura dos dois, e você?
E por que os governos não investem no transporte público, em ciclovias? Elementar, meu caro Watson: porque isso é considerado coisa de pobre. Não dá voto. A classe média não está preocupada com isso, diminuir o IPI dos automóveis é muito mais importante porque isso sim é progresso: dá pra todo mundo comprar carro em 99 vezes, mostrar pro vizinho o “modelo superior”, e ficar exibindo o possante por horas enquanto está trancado no congestionamento cheirando fumaça todos os dias e se achando superior a todos os outros pobres coitados que estão ali no ônibus ao lado e não podem comprar um carro. Enquanto isso, na Europa, as pessoas estão deixando os carros em casa e andando de bicicleta, ou misturando-se aos plebeus nos ônibus, e quase não há buzinas ou poluição, o trânsito flui, se chega muito mais rápido ao destino e durante a semana as ruas têm mais vaga para quem precisa estacionar. Sem falar que é mais barato. Coitados dos europeus, não sabem como é bom ir trabalhar de carro. É progresso!
Em Faxinal do Soturno, uma cidadezinha do interior do RS onde mora minha mãe e onde qualquer lugar está no máximo a 10 minutos à pé de qualquer outro lugar, as pessoas vão de carro trabalhar. Ou quando tem um evento no clube, ou um casamento na Igreja, todo mundo vai de carro, mesmo aqueles que moram a 2 quadras dali. Faz sentido?
Pensem nisso. E vou ficando por aqui, feliz, andando de bicicleta pra lá e pra cá... :-)
P.S.: Se você de alguma forma se encaixa no perfil aqui descrito e se ofendeu, por favor não interprete como uma crítica pessoal. Cada um faz o que quiser com seu dinheiro. Só estou fazendo um questionamento à cultura do carro como símbolo de status, à obsessão das pessoas em ter um em detrimento à sua própria saúde financeira, ao achar que carro é sinônimo de progresso. Pense no que escrevi e tire suas próprias conclusões. Os comentários estão abertos pra quem concorda e discorda. Obrigado.
11 comments:
E aí Schenkel, quando vai comprar um caro?
Pois é Schenkel, eu me pergunto: de onde vem essa obsessão por carro? Por que se criou essa cultura se, como você analisou, ela tem poucas vantagens? Será que não vem do marketing, atuando por décadas e décadas, das grandes corporações automobilísticas? Um marketing capitalista como sempre com a lavagem cerebral do "somos o que temos". Afinal, pra elas existirem e terem seus astronômicos lucros, poderão incentivar a diminuição do uso de automóveis? Alguém tem que comprar seus produtos, que por sinal no Brasil, são de péssima qualidade, sempre atrasados com relação ao primeiro mundo, e por incrível que pareça, muito mais caros. E como as financiadoras vão sobreviver se as pessoas só comprarem á vista? Vá comprar um carro no Brasil e você vai ver que as concessionárias preferem vender a prazo e, inclusive, te induzem a isso, pois assim ganham duas vezes: com o veículo e com o financiamento. Você tem que insistir muitas vezes com o vendedor no pagamento a vista !
Aliemos tudo isso a sabida baixa educação do povo brasileiro, facilmente influenciado pela grande mídia na mão destas grandes corporações, que a faz existir pagando seus milionários comerciais. É uma questao de vida ou morte. Como um veículo de mídia vai sobreviver se pregar a não utilização automóveis? Alguma montadora iria anunciar nesta emissora? É a famosa impossibilidade de ser ético e correto num sistema capitalista, como explicado no documentário ZeitGeist. Para sobreviver você precisa de dinheiro e não de ética e honestidade.
Claro que tudo isso só acontece devido a baixa educação do povo. E não falo aqui só em poucos anos de estudo, mas no tipo de educação, pois no Brasil mesmo a maioria dos que conseguem concluir um Curso Superior acabam tendo apenas educação técnica. O resto é por conta própria !
No mais é isso mano. Muito interessante a tua explanação expondo a nova realidade em que está vivendo! Parabéns !
Fala Germano!
Que bom que alguém postou um comentário, às vezes fico em dúvida se devo ou não continuar com o blog porque tenho a impressão que ninguém lê. :-)
Antes de perder meia-hora te respondendo, queria saber de ti se todo teu comentário foi sério ou tu estava sendo irônico em certas partes. Fiquei em dúvida.
Foi depois que vim morar na España q a ficha caiu :-) os meios de transporte aqui realmente funcionam bem, foi até considerado um dos melhores no mundo. Dependendo da linha de metro, é comum ver terno e gravata e saltinho alto. Existe também em alguma parte da cidade uma faixa para ciclista, mas tá mais pra dizer que tem, pois o español é raro pedalar.
Porém, o madrileño em si adora um carro, mesmo tendo que pagar multa ou estacionamento.
Ah! Taxi, bastante, mas particularmente ñ considero caro.
Adorei o post. Não tiro nada do que você falou. Sou de Recife, trabalho há 4 anos. Desde que comecei a trabalhar o coro só faz engrossar, "vai comprar o carro quando?".
Eu vou resumir mais ou menos a minha situação. Da minha casa pro meu trabalho dá uns 15 minutos de viagem. Eu moro numa avenida, os ônibus param NA PORTA do meu prédio. Pra completar, o ponto de parada do ônibus é NA FRENTE do meu trabalho. Sim, na frente. É só atravessar a rua e bam. Me diz pra que eu vou me estressar com carro? É praticamente um táxi, o serviço que o ônibus me faz. Agora tem gente que é mais preocupado do que eu com essas coisas de status e não pára de encher o saco com essa bitolação de TER, TER, TER. Mas ter, não porque vc precisa ou gosta, ou quer. Ter pra mostrar. Ter pra dar satisfação.
Bem, nesses 4 anos tenho juntado meu dinheiro ao invés de ficar inventando dívida e depreciando meu capital pra um dia me dar o direito de fazer isso que vc tem feito...conhecer outras culturas. Ainda não escolhi meu destino mas de grana eu já tô bem, graças a Deus.
Isso se chama "cabeça feita" :)
Maizah Schenkel... tranquilo...
Poisé cara, complicado essa questão. Como já sabe, pouco antes de finalizar meu curso superior, fui à Inglaterra e fiquei 1 ano por lá e tb percebi essa diferença cultural.
No retorno ao Brasil, logo após encontrar um emprego, comprei um fiesta 1.0 usado (popular) para ir ao trabalho. Até aí, não vejo exagero, pois o transporte público era muito ruim e o carro facilitaria toda aquela questão de acordar o mais tarde possível para chegar tarde e sair cedo do trabalho.
O problema era o uso no final de semana. Devido a cachaça, tomava uma multa após a outra. Dinheiro não era problema, pois o salário resolvia. Além do mais, as multas a gente só paga no licenciamento... baita barbada. Na renovação da carteira eu tinha mais de 20 pontos, tava apavorado, mas nada aconteceu. Acho que o sistema não me encontrou.. Mas que nada, o pior é que eu fiquei pelo menos 1 ano fazendo todos os finais de semana pelo menos uns 100Km para ir a baladas legais nas cidades vizinhas (o chamado bate e volta), e é claro, tudo isso regado a muita cachaça.
Logo depois, quando sobrou mais um pouquinho, parti p/ um Vectra. Com certeza ganhei alguns pontos a mais no meu currículo com as mocinhas. Esse também presenciou muitas multas. Assim como o fiesta, foram de excesso de velocidade, principalmente pardais eletrônicos de 60km/h. Tem muitos deles aqui por SC e a grande maioria das multas, é claro, na noite, bêbado, distraído.
Agora, já faz 1 ano e meio que comprei um Peugeot 307 zero, bem completo, com mp3, teto solar, air bag, bancos em couro,... altas frescuras... um ótimo carro. E é claro, o currículo agradece. Já reduzi bastante a cachaça, conseqüentemente houve uma economia nas multas.
Enfim, segue aí um resumo de 4 a 5 anos da minha saga automobilística e já se foram 3 carros. Te confesso que, devido a crise financeira em 2008/9 o Peugeot ainda está comigo. O motivo para tudo isso, eu dividiria da seguinte forma: 20% segurança e prazer, pelo simples fato dos carros irem evoluindo em desempenho, qualidade e luxo e os 80% restantes só pode ser status.
Tentando explicar as compras: O fiesta era um carro popular, realmente deixava a desejar nas viagens de 900Km ao RS (se eu andasse a 100~110Km/h – permitido, não teria problema). Já o Vectra, era um carro muito bom, mais potente, eu particularmente gosto muito, mas ele já tinha uns 6 anos e estava começando a dar alguma manutenção. Então, parti para o 307, novinho. Este sim realmente eu tenho um prazer muito grande em dirigir. Na BR101, aqui no norte de SC ela é toda duplicada, ando sempre na média de 140~160km/h (bastante normal por aqui) e, tenho plena o convicção de estar bem mais seguro do que quando andava a 110~120km/h no meu fiesta. Talvez um dia eu tenha um Audi A3 ou similar, com certeza a média vai passar para 160~180km/h (varias vezes estou a 160km/h e vejo BMW X5 ou akelas Santa Fé passando fácil fácil por mim – acredito que eles devam achar isso normal). (continua...)
Conclusão: Excesso de velocidade, dirigir embriagado e etc. etc. não são problemas aqui no Brasil. Todos sabem que a justiça é fraca e se você beber e atropelar uma pessoa, dificilmente você vai pagar por isso. Talvez até tenha alguns problemas, mas tudo se resolve. Agora até fizeram a estúpida lei seca, que deu um pavor em todos no início, mas hoje todo mundo sabe que a policia dificilmente tem os bafômetros, e se os tem, não devemos sob hipótese alguma assoprar no palitinho. Devemos negar, negar e negar, e sempre jogar o problema para depois, seja amanha ou quanto mais a frente possível. No outro dia tudo se resolve, ainda mais com a presença de um advogado, eles conhecem todos os furos da lei. Excesso de velocidade então, essa é barbada, eu particularmente toda vez que faço viagens um pouco mais longas, sempre levo uns reais a mais na carteira, nunca se sabe quando vamos precisar.
Solução:
Educação: Como vc pode ver acima, eu sou o exemplo da má educação no transito. Tenho curso superior e MBA e ainda continuo imprudente. Agora eu pergunto, imagina a educação do transito de um “mano” de 20 anos que quer agitar na noite? Quem dirá, educação econômica como você se refere no blog.. aí piorou...
Investimento: tem que melhorar muito o transporte urbano aqui no BR. Se hoje você leva 30 min de carro, de ônibus vai levar 1h. Contando ida e volta, teremos total de 1h contra 2h de transporte publico. O trampo já é desgastante, então tentamos reduzir este tempo de exposição ao transito comprando motos fantásticas e carros extraordinários. A um tempo vi uma reportagem sobre os motoboy de SP. Os caras chegaram ao ponto de comprar aquelas motinhos de 50cilindradas que não precisa de carteira, nem IPVA, nem nada. Daí, eles modificam o pistão do motor e mais algumas coisas imperceptíveis externamente e ela vira uma 80 ou 90 cilindradas, um turbo. Imagina, uma moto projetada para andar a uns 70km/h, andando a uns 100 ou mais. Mas vou te contar uma coisa, eles conseguem fazer uma “corrida” a um precinho muito bom, baixíssimo custo. Legal mesmo é ver Globo (SP) que , tenho aqui em casa, é todas as manhas noticia de acidente. (não preciso falar que minha net é uma AZ América, aquelas do satélite amazonas, com todos os canais liberados, inclusive os “peiperviu” e os eróticos, de graça, é claro, porque não sou burro né schenkel, hehehe).
Schenkel, acredito que tu ficou sabendo, mas esses dias apareceu imagens na imprensa brasileira de mais um escândalo de dinheiro na cueca, ou meia ou sei lá onde for, gente grande de Brasília. Tá foda cara, é muita robalheira, não vai sobrar nada para educação, quem dirá para infraestrutura, ou melhores salários dos policiais, ou seja lá o que for. A impunidade é muito grande. Pior ainda, os políticos tem aquela imunidade, sem noção. Então sabemos que o político não vai preso, o rico tenta fazer o possível para não pagar IR e tirar proveito de toda situação que surgir, a classe média faz o que pode para se safar, inclusive da net (meu caso) e o pobre.. esse sim já nasceu fudido e precisa comprar uma CG para fazer uns bicos e ganhar o sustento, é claro, até o dia em a ambulância junte eles estatelados no chão de uma rua, dando mais gastos para o governo.
Puts, me empolguei e já fugi do assunto várias vezes... ZERO na dissertação pra você Ricardo. Ai ai ai... eu sabia que deveria ter estudado mais quando estava na Escola.
Mas resumindo tudo o que foi dito acima, realmente o motivo de tanta ostentação deva estar ligado à questão social/cultural, de ascensão para uma classe superior. Mas uma coisa eu tenho certeza, que o pobre que caiu da CG e quebrou a perna queria estar andando de BMW X5.
Abç. Ricardo.
Pois eh..sexta-feira, parada no transito de Sao Paulo, eu comentei que o governo deveria subir os impostos..tanto pra comprar carro, como IPVA, seguro obrigatorio, etc...que assim, a classe media desistia de ter carro (sim..sou classe media e nao, nao tenho carro)...
Ai comecaram a dizer que deveriam investir em transporte publico, etc...
Me ocorreram algumas ideias:
- Nenhum governo vai investir macicamente em transporte publico, pq eh longo prazo, e todo governante quer colher votos em 4 anos...
- Mesmo que o metro, os onibus fossem bons, niguem que tem um pouco mais ia se misturar com a plebe no metro pra ter carteira batida, etc...(ai, entra-se na seara da seguranca, e o buraco vai ficando cada vez mais fundo)
- por fim, entra-se no status..e numa sociedade consumista como a brasileira, onde ter eh mais dq ser, isso nunca vai acabar...
Logo..continue na Suecia, hahaha..e se eu conseguir, jaja me mudo tambem!
Essa pergunta de quando tu vais comprar um carro nunca me incomodou! A pergunta que me incomoda é: Quando tu vais ter um filho? Essa sim me deixa furioso! E quando eu digo que não quero tê-los, me olham como se eu fosse um Nazista!! Pôrr*!! Vão a mer...!!!! Querem filhos? Que os façam então e não me encham o sac*! por esse motivo compreendo a tua indignação com a pergunta.
Hehehehe!
A frase "Porque quem anda à pé não pode ser alguém."
Na verdade aqui no BR é: "A pé tu não come ninguém" Infelizmente é isso! Hehehe!
Concordo em parte com o teu texto! Morando numa cidade onde o transp. público funciona e é bom, é fácil abandonar o carro! Eu o faria de bom grado, pois carro para mim, é apenas para me transportar! Se eu fosse bem rico (bem mesmo) aí sim eu teria um carrão, mas não para me mostrar, mas para sentir a emoção de dirigir a 240km/h numa autobahann (sim, pois aqui não há condições de se fazer isso nem num autódromo!). Tenho 2 carros, ou melhor, um carro (velho mas é meu e está em estado de novo, bem regulado, tem catalizador, tá tudo em dia) e um Fusca! O carro é para o dia-a-dia, e o Fusca é para o meu prazer! Tem gente que gosta de jogar futebol, video-game, etc. Eu gosto de games também, mas desmontar o carburador do Fusca, ajustá-lo e fazer funcionar não tem preço. E não ando muito com ele não! Apenas aos Sábados ou Domingos um pequeno trecho (gasosa custa caro!!!!).
Bom Schenks! Tu sabe muito bem que os EFAL da vida estão sempre lotados, demoram o dobro do tempo para ir de Polêsine City para Camobi! Mas mesmo assim ando de ônibus todo santo dia! Sabe PQ? Porque de carro é muito mais caro! Iria fazer um rombo no meu orçamento se eu fosse de carro! fazendo a conta perco mais de 3 horas do meu dia em função dos ônibus! No fim das contas esse tempo me faz falta! Poderia trabalhar mais durante esse tempo! De carro perderia apenas 1h no máximo! E tem mais: dá raiva ir em pé exprimido todos os dias, parando de 50 em 50m e ainda por cima levando desaforo para casa! Como não desejar ir de carro????? Portanto há casos e casos! Carro em cidade grande é um incômodo, no interior é necessidade! Tu sabes muito bem que na pequena Polêsine (ínfima na verdade) não tem nada! Não tem hospital não tem nada! E depender dos outros é sóda! Para a minha realidade carro é fundamental!
Agora aquela do teu vizinho ir de carro até a igreja é sóda! Ele não vai a pé de preguiçoso mesmo! Hahahah.
E cá para nós, esses teus conterrâneos são uns esnobes mesmo! Salvo raras exceções como o seu caso, do Toba, Cri-Cri e outros tantos amigos, que não vou mencioná-los pois o post ia ficar muito comprido, mas eles sabem que eu os admiro e respeito assim como tu.
Um abraço!
P.S.: Manda um pouco de neve para cá, pois tá muito quente!!!!!
Ainda bem que me tiraram fora dessa... valeu Chico! hahaha
Gostei dos posts da galera acima. Gostei mesmo.
Inclusive esse assunto foi tema de uma reportagem na revista Superinteressante (acho essa revista show de bola), onde dizia que se as grandes cidades brasileiras começassem a investir MAÇIÇAMENTE em transporte público de qualidade hoje, o resultado só apareceria daqi ha uns 10 ou 12 anos, exatamente como aconteceu em Londres no início dos anos 70 (dizem que antes disso o transporte público lá era meio caótico).
Cara... investir agora pra ter resultado daqui ha 10 anos? Que político seria "doido" o suficiente pra fazer isso? É como alguem disse num post ali acima... se não der retorno em 4 anos, ESQUEÇA! Infelizmente aqui no BR tudo funciona assim... se aqui em Faxinal os "homem da capa preta" não fazem esgoto porque ninguem vai ver a obra, vai ser uma coisa enterrada... calcule um investimento pesado desses!
Ah... e essa história de "aparentar riqueza" eu não acho que é bem por aí. Algumas pessoas prezam pelo conforto, outras pela economia. E conforto tu só vai conseguir em um carro "um pouco acima". A maneira de como cada um vai se virar pra pagar por estas qualidade, aí é outra história.
Ótimo artigo. Braziu é isso aí. O último que sair apague a luz.
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