2010-08-20

Futebol na Suécia (e na Dinamarca)

Às vezes me perguntam se os europeus gostam de futebol, se eles conhecem os times brasileiros, os campeonatos, e por aí vai. Bom, não posso falar por todos os europeus, mas posso contar minhas impressões na Suécia e na Dinamarca.

De um modo geral o pessoal aqui não é ligado em futebol. Claro que tem sempre quem gosta, mas é uma minoria (ou sou eu que conheço as pessoas “erradas”). Querer que alguém daqui conheça algum tipo sul-americano ou brasileiro é querer muito, não só porque as pessoas não são muito ligadas, como disse, mas também porque o futebol europeu é extremamente eurocentrista: uma parte dos jornais nem noticiou o resultado da Libertadores, e outros só publicaram uma nota de poucas linhas em algum canto da página. Pouquíssimos deram algum destaque. Eu fui trabalhar vestido com a camisa do Internacional e quando me perguntavam o motivo eu tinha que explicar o que era a Libertadores porque ninguém no meu trabalho já tinha ouvido falar nesse campeonato.

O fato é que o que não acontece fora da Europa não é importante para eles. O mundial de clubes, por exemplo, que a gente acha tão importante por aí, aqui pouquíssima gente sabe até que existe. Para os clubes e torcida quase não tem importância nenhuma, tanto que uma vez estava conversando com um cara que torcia para o Barcelona e ele nem sabia que o time tinha jogado em 2006 o Mundial da FIFA (tive que explicar o que era o torneio porque ele nem sabia que existia). E quando visitei o museu dentro do estádio do Manchester United a taça do Interclubes da Toyota (que ganharam do Palmeiras) estava exposta ao lado da taça da Liga dos Campeões, essa sim em destaque. A Liga dos Campeões é o que realmente importa para os europeus.

Vi isso também na Copa do Mundo. Não há nem de longe a mesma atmosfera que se tem no Brasil; por aqui parece que ela nem está acontecendo. Talvez eu não esteja sendo muito justo porque a Suécia desta vez nem se classificou para a Copa, e a Dinamarca tinha um time bem ruinzinho. Mas mesmo assim, teve jogos da Dinamarca que aconteceram durante o expediente e a maioria dos dinamarqueses trabalhavam normalmente, sem dar importância nenhuma para o jogo. Imagina algo assim no Brasil? Mesmo quem não curte futebol normalmente assiste pelo menos aos jogos da seleção na Copa. Quando eu falei que aí as pessoas folgam do serviço e as coisas fecham ou mudam de horário (bancos, repartições públicas) por causa dos jogos da seleção o pessoal não acreditava. Um sueco inclusive me falou que nunca deixariam isso acontecer na Suécia, porque o futebol não tem tanta importância assim para justificar o impacto na economia causado pela “paralisação”.

Em resumo: para o pessoal “comum” aqui, o futebol mesmo sendo o esporte mais popular não tem nem de longe a importância que se dá no Brasil. Se são eles que dão pouca, ou a gente que dá muita, deixo a cada um concluir por contra própria.