2013-01-31

Inacreditável!

Evitei de postar sobre o absurdo ocorrido em Santa Maria porque não havia nada a ser dito naquele momento, chocado que estava ainda pela tragédia (até porque era meu último dia de férias no Brasil e eu ainda estava na região), que já não tinha sido feito. Agora, de cabeça mais fria, e com as informações sobre o caso vindo à tona, tenho várias coisas a dizer sobre o fato.

Mas não vai ser nesta postagem; hoje li algo que me deixou ainda mais revoltado e não posso deixar em branco.

Depois de escancarada a falta de preocupação com a segurança de todos os envolvidos (banda, boate, poder público) e as conseqüências trágicas de tal mentalidade, não tenho palavras para definir aqueles que, 3 dias após o desastre, ainda defendem que se deixe perpetuar a avalanche do Grêmio, agora no novo estádio da Arena.

Entendo que a comemoração passou a ser uma marca registrada da torcida gremista, onde ela demonstra toda sua paixão pelo clube e realmente é muito bonito de se ver, mesmo para mim que sou colorado. Entretanto, deixando a paixão de lado, como negar que é algo perigoso e introduz um risco totalmente desnecessário?

Muita gente agora está dizendo que basta reforçar a grade, que a avalanche sempre aconteceu no Olímpico e nunca deu problema, e por aí vai.

Mas será mesmo que não se aprende? Quase 250 corpos foram recém sepultados e ainda se tem coragem de declarar, aos quatro ventos, que devemos ignorar as normas e os avisos dos especialistas em segurança? Mas que raio de cultura podre é essa que nós temos? A ignorância não tem mesmo fim?

Assim como em Santa Maria a tal da banda sempre usou pirotecnia e nunca deu problema; assim como na Kiss se costumava usar fogos em outras ocasiões e nunca deu problema; assim como era mais bonita a parede sem o extintor pendurado e nunca deu problema; assim como a mesmíssima coisa aconteceu no passado na China, na Rússia, nos EUA, na Argentina e nós aqui, tupiniquins, não aprendemos nada. E um dia acontece.

Na Europa não se usa grades para conter a torcida justamente por causa da tragédia na Inglaterra em 1989 onde 96 pessoas morreram amassadas e pisoteadas junto à grade. Ou seja, já há precedentes. E agora falam que a solução é reforçar a tal da grade em vez de acabar com a prática?

A polícia e os bombeiros já têm dito desde o início que é perigoso. Os especialistas e peritos são unânimes em dizer o mesmo. Quando a BM tentou impedir, o Grêmio e a torcida caíram matando em cima dizendo que era autoritarismo e a pressão foi tão grande que acabaram ganhando uma permissão temporária, isso depois da polícia obrigar o clube a colocar umas barreiras anti-esmagamento.

Onde vão estar o clube e os defensores da avalanche quando morrer alguém que tropeçar e cair no chão e for pisoteado pelos que vêm atrás, ou alguém esmagado junto à grade ou no meio da massa? Vão também abdicar da responsabilidade?

Está mais do que evidente que tanto o Grêmio quanto a construtora não têm a mínima preocupação com a segurança dos freqüentadores da Arena ao permitir que a manifestação continue mesmo depois de vetada por aqueles encarregados de fazer a avaliação técnica. É obrigação da torcida gremista e da sociedade como um todo deixar muito claro que a atitude dos dirigentes gremistas ao despriorizar a segurança em prol do espetáculo é inaceitável e imoral, e que é inaceitável também que o poder público que tem o poder de coibir não o faça.

Se a avalanche continuar à revelia de tudo isso e um dia morrer alguém, so há um nome para isso: homicídio doloso.

E antes que digam alguma coisa: se fosse o meu time, o Internacional, minha posição seria exatamente a mesma.