Aqui na Suécia (e na maior parte da Europa, eu suponho) existe a cultura do faça você mesmo. Quando tu vai num mercado, por exemplo, não tem ninguém para empacotar tuas coisas. Se tu vai num posto de gasolina, tu tem que abastecer. Se tu vai num restaurante, tem que tirar os pratos da mesa depois de comer (a menos que seja um restaurante chique). Se tu está num bar, tem que ir no balcão pegar a bebida.
Isso se explica porque é muito caro pagar alguém para fazer essas coisas, já que aqui ninguém ganha salário miserável. Quanto mais empregados tu tem, menos competitivo tu fica, já que esse custo irá encarecer teu produto ou serviço.
Por isso também que aqui ninguém tem empregada, ou faxineira, ou jardineiro, ou algo parecido. A menos que tu tenha muito dinheiro, é impraticável.
Tudo também é feito para diminuir a quantidade de trabalho que um funcionário tem que fazer, com o objetivo de aumentar a eficiência — leia-se, diminuir o número de funcionários. Por exemplo, no mercado se tu tem troco a receber em moedas, não é o funcionário que vai ter dar e sim uma máquina. Assim o empregado não perde tempo contando.
Outra coisa que acontece também é que tudo é cobrado, ou para diminuir o desperdício ou para pagar pelo tempo perdido de alguém. Continuando no exemplo do mercado, se tu quiser sacola plástica tem que pagar por elas. Os carrinhos de mercado geralmente são trancados, se tu quiser um tem que colocar uma moeda de uma coroa (ou de cinco coroas, não lembro) para pegá-lo. Quando tu devolver o carrinho no mesmo lugar tu pega a moeda de volta. Isso é para desestimular as pessoas de deixarem os carrinhos atirados no estacionamento (como é normal no Brasil): se tu não colocar ele de volta no lugar tu perde teu dinheiro, que serve também para compensar pelo trabalho que algum funcionário vai ter de guardar o carrinho.
Agora vai explicar para o pessoal daqui que no Brasil existe um emprego cujo cargo é chamado de ascensorista. A criatura está lá para evitar que as pessoas tenham o trabalho de apertar dentro do elevador o botão do andar onde querem ir...
8 comentários:
heranças da escravidão aki!
Então nos bares ae não tem o garçom que traz a ceva gelada!? E tu tens que lavar o prato depois tb? mas que lixo!
Não, não tem que lavar o prato. Apenas retirar da mesa e colocar num lugar específico.
E o único lugar que tu vai achar garçom aqui são nos restaurantes caros. Nem pensar ter garçom em bar. Pelo menos eu nunca vi.
Muito interessante isso!
É uma maneira de controlar a pobreza tambem(que pelo jeito dá certo, visto o número de pessoas pobres aí), muito interessante...
Não entendi Tobias, como assim?
tambem nao entendi
Pensem assim ó.
O cidadão poderia trabalhar como ascensorista, como tu disse, e ganhar um salariozinho miserável (nada contra os ascensoristas, mas tem que ser mágico pra sobreviver um mês com 200 ou 300 pilas que eles devem ganhar, se ganham isso).
Logo, não havendo trabalhos tipo "bicos" como esses, o cara tem que suar pra conseguir um emprego que dê uma boa remuneração, o que consequentemente vai elevar o nível de vida do cara.
Já aqui no Braziusão o cara se conforma com um empreguinho desses, passa o mês inteiro matando cachorro a grito, e ainda de quebra é capaz de ter que sustentar uma família com 3 ou 4 filhos passando fome.
Deu pra seguir a linha do raciocínio?
Enquanto tu tiver emprego mal valorizado tu sempre vai ter pobreza em volta.
O problema é que além dos salários serem altos, têm os encargos trabalhistas! Isso é que mata a empresa! Imagina o dono do bar ter pagar uma garçonete quando ela ficar gravida e etc! É prejuizo na certa! Outra coiza, é que como nesta parte da europa todo mundo, quase, tem um nível educacional mais alto, niguém vai querer trabalhar nestes tipos de emprego! Quem iria trabalhar de garçom se o cara é formado em Infromática por exemplo? Ninguém (não há mercado de trabalho para isso)! Diferente de Cuba, onde engenheiros tem que trabalahr de varredor de rua para sobreviver! Se ouvesse imigrantes, como nos EUA por ex., esses serviços (garçom, etc.) seriam comuns também! É o que eu acho!
Aqui tem um monte de imigrantes, mas mesmo assim isso não acontece. Os sindicatos daqui só aprovam uma contratação de um estrangeiro se ele vai receber o mesmo salário que um nativo, e somente se a empresa provar que não conseguiu achar ninguém do próprio país que possa fazer o mesmo serviço.
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